Ciência

Asteroides: rotação da Terra pode facilitar aproximação silenciosa de corpos celestes, diz estudo

Vitor Paiva - 19/01/2022 às 18:38 | Atualizada em 24/01/2022 às 08:40

Se os maiores telescópios são capazes de detectar e calcular com precisão inequívoca e antecedência segura a aproximação de um asteroide na direção da Terra, uma nova pesquisa sugere a existência de uma “zona cega” ao redor do planeta, por onde os objetos celestes podem ficar “invisíveis”, e se aproximar sem serem percebidos. Segundo a pesquisa, os corpos espaciais que viajam pela região leste noturna do céu terrestre podem parecer imóveis por tempo considerável, e assim confundir os telescópios feito fossem corpos estacionários, mesmo se movendo a milhares e milhares de quilômetros por hora.

A "zona cega" apontada pela pesquisa pode atrasar consideravelmente a detecção de certos asteroides que se aproximam da Terra

A “zona cega” apontada pela pesquisa pode atrasar consideravelmente a detecção de certos asteroides que se aproximam da Terra

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Em resumo, os asteroides que se aproximam pela sugerida “zona cega” podem não ser detectados com antecedência pela rede de telescópios especiais desenvolvida para a finalidade. A investigação da pesquisa se baseou em casos como do 2019 OK, um asteroide de cerca de 100 metros de diâmetro que chegou a cerca de 70 mil quilômetros próximo da Terra, mas só foi percebido 24 horas antes da passagem – e a resposta para a misteriosa invisibilidade dos objetos celestes na determinada região do céu estaria na relação do movimento dos asteroides com relação à rotação do nosso planeta.

Na animação, a linha roxa mostra a aproximação do 2019 OK em relação ao Sol, representado pelo ponto amarelo fixo, e ao movimento de Mercúrio, em azul claro, de Vênus, em verde, e da Terra, em azul escuro

Na animação, a linha roxa mostra a aproximação do 2019 OK em relação ao Sol, representado pelo ponto amarelo fixo, e ao movimento de Mercúrio, em azul claro, de Vênus, em verde, e da Terra, em azul escuro

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Os objetos que se aproximam da Terra a partir do Leste podem parecer em câmera lenta ou mesmo parados pelo fato do planeta girar nesse justo sentido, “compensando” e disfarçando assim a movimentação. Como os telescópios estão programados para procurar por corpos celestes em movimento no céu, segundo a pesquisa cerca de 50% dos objetos que se aproximam da Terra pelo lado oriental podem ter a detecção prévia dificultada pelo fenômeno.

O asteroide 2019 OK registrado pelo telescópio ISON

O asteroide 2019 OK registrado pelo telescópio ISON

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Para o pesquisador Richard Wainscoat, da Universidade do Havaí, a conclusão da pesquisa não deve representar qualquer tipo de preocupação para a população em geral sobre um possível impacto. “No caso de encontrarmos algo que vai atingir a Terra, faremos algo a respeito. Não é uma questão de encontrar e ficar sentado esperando bater”, afirmou. De acordo com o estudo, não fosse o fenômeno descoberto e a aproximação de um corpo celeste como 2019 OK seria detectada com até quatro semanas de antecipação. A pesquisa foi publicada na revista científica Icarus, e pode ser acessada aqui.

asteroide

A passagem de alguns asteroides pode ser observada diretamente nos nossos céus

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© Foto 1: Pixabay

© Foto 2, 4: Wikimedia Commons

© Foto 3: ISON/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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