Diversidade

BBB 22: Natália solta fala equivocada da escravidão e debate entre colunistas brancos sobre ‘racismo reverso’ explica

Redação Hypeness - 18/01/2022 às 12:24 | Atualizada em 18/01/2022 às 12:32

O BBB 22 mal começou e já está gerando debate sobre pautas sociais nas redes. Na manhã do segundo dia de confinamento, a participante Natália fez uma fala controversa sobre a escravidão no Brasil. A modelo, que é negra, afirmou que os pretos foram escravizados porque eram “eficientes”.

A fala está equivocada e nega o sistema colonial e racista implantado pela Europa Ocidental durante o mercantilismo. Mas será que Natália é a grande culpada dessa história?

Leia: Linn da Quebrada é trans ou travesti? Explicamos identidade de gênero da artista e ‘BBB’

Natália fala sobre escravidão

Tudo começou quando Naiara Azevedo contava uma história sobre uma participação no “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo. Em 2018, a cantora sertaneja disse que ficou “admirada” com Vilma Piedade, autora negra pós-graduada em Ciência da Literatura que cunhou o termo “dororidade” no livro “Conceito Dororidade”, de 2017.

A sister defendeu ideias antiquadas sobre o processo histórico da escravidão no contexto brasileiro

“O povo veio me matando por eu ter elogiado uma mulher negra no Encontro. Eu disse que ela era f*da. ‘Ah, você está surpresa de ver uma mulher negra inteligente?’ Me chamaram de preconceituosa e se tem uma coisa que não sou é preconceituosa”, disse a cantora sertaneja.

Natália complementou a conversa com uma ideia errada sobre a escravidão no Brasil. “Sou preta e vim como escravo sim, por que a gente era eficiente, por que a gente era bom. Quando falarem ‘você é preto’, responde: sou sim, sou preta mesmo!’”

Confira o vídeo:

Mas será que Natália, uma mulher negra socialmente oprimida por sua condição, a principal responsável por esse tipo de pensamento equivocado sobre a escravidão e a posição do negro na realidade brasileira?

Brancos forjaram ideias errôneas sobre racismo e escravidão no Brasil

Nessa semana, a Folha de São Paulo publicou uma coluna do sociólogo André Risério que afirmava que existia o “racismo de negros contra brancos”. O texto citava casos isolados de violência de alguns negros contra outras minorias raciais e brancos no cenário dos Estados Unidos, cuja a questão do racismo é extremamente diferente do Brasil.

– Carla Diaz diz que ‘racismo reverso não existe’ e critica inquérito sobre preconceito

Também em coluna à Folha de São Paulo, o filósofo Joel Pinheiro, filho do economista Eduardo Gianetti, reforça a ideia de Risério sobre a uma suposta violência racial de minorias contra brancos, tentando realizar um exercício lógico ao comparar um conceito da sociedade como o racismo com o crime de assassinato. O exercício desconsidera a diferença básica entre preconceito, um conceito simples do comportamento, e racismo, uma estrutura social complexa que atravessa a realidade ocidental há 500 anos – e que tem como vítimas homens e mulheres negras.

Mas isso não é exclusivo dessa semana ou da Folha de São Paulo. O pensamento social brasileiro sobre raça é notoriamente e reconhecidamente iniciado em “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, um branco, que promove a ideia de democracia racial e de solidariedade entre as raças mesmo com o processo de escravidão, algo completamente errado e perigoso, que ainda mora no imaginário do nosso país. A tese de Freyre apaga a violência e a crueldade do processo de escravização.

Além disso, a ideia de que negros eram “fortes e eficientes” também é oriunda de teorias racistas da antropologia física, campo de pseudociência utilizado entre o fim do século XIX e o início do século XX – em especial dentro das universidades dos EUA – para justificar ideias eugenistas e racistas.

E tem muita gente melhor para pensar o racismo no Brasil. Conheça:

– Lélia Gonzalez foi a nossa Angela Davis e deveria ser leitura obrigatória nas escolas e universidades

– Quem é Silvio de Almeida, autor do livro ‘Racismo Estrutural’?

– Filósofas negras fundamentais para a compreensão da diversidade social

Confira tweets de intelectuais negros sobre o tema:

A ideia equivocada que Natália reproduziu sobre o processo histórico da escravidão mostra que pensamentos racistas e o apagamento histórico dos escravizados no Brasil ainda são fatores preponderantes na nossa educação.

Publicidade

Fotos: Reprodução/TV Globo


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Canais Especiais Hypeness