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Brian Eno cria vitrola que mistura luz e som no ato de ouvir música

Vitor Paiva - 21/01/2022 às 07:39

A experiência de ouvir a música do compositor e produtor inglês Brian Eno representa um profundo mergulho sonoro – de tal forma singular, sinestésico e experimental que não seria exagero afirmar que era preciso que se criasse um equipamento apropriado para que o ouvinte possa melhor aproveitar tal imersão em seu som. Pois ao que tudo indica foi exatamente isso que ele fez: membro da banda Roxy Music durante o início dos anos 1970 e um dos mais importantes e influentes produtores e compositores do século XX, Eno também é artista plástico, e desenvolveu uma vitrola que emite luz e a “mistura” com a música tocada, tornando tanto o som em uma experiência visual quanto o próprio toca-discos em uma obra de arte à parte – e ouvinte também em um espectador.

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A vitrola desenvolvida por Eno mistura som e visão em música e luz

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A peça é ao mesmo tempo uma vitrola efetiva e uma obra de arte

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Criado em parceria com a galeria de arte contemporânea londrina Paul Stoper, a vitrola iluminada de Brian Eno foi lançada no ano passado em coleção limitada a 50 unidades, e todas foram rapidamente vendidas. Segundo consta, a experiência de escutar um disco em um de seus toca-discos mistura de forma única o som e a visão – ou “Sound and Vision”, nome de uma das muitas faixas nas quais Eno colaborou com David Bowie. “A luz é tangível, como se estivesse envolta em uma nuvem de vapor”, afirmou o artista, sobre a experiência.

vitrola desenvolvida por Brian Eno

Brian Eno diante de sua vitrola de luz

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A mudança de luz parece intervir diretamente no efeito do som – em interessante sinestesia

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“Ficamos admirando por horas, aficionados por essa experiência totalmente nova da luz como uma presença física”, comentou. Segundo Eno, a ideia surgiu a partir de um conceito simples, que cresceu em complexidade por um caminho intuitivo, como algo que o cérebro humano não é imediatamente capaz de capturar, e que só faz real sentido quando é de fato visto. “Você tem a ideia de que essa pequena coisa, que não carece de muitas instruções, produz esse entrelaçado imensamente complexo, como um mundo interdependente”, comentou, a respeito da forma com que som e luz se misturam durante o uso da vitrola.

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A obra muda de cor em luz, da mesma forma que uma música muda esteticamente

vitrola desenvolvida por Brian Eno

Eno é um dos mais importantes produtores do século XX

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A obra parece funcionar precisamente para uma música profunda como a do próprio Eno

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Conhecido por desafiar o convencional tanto em seu trabalho como compositor como enquanto produtor, Eno colaborou, além do já citado Bowie – com quem trabalhou nos discos que formam a famosa “Trilogia de Berlim”, entre outros – com nomes como Talking Heads, Devo, U2, Paul Simon, David Byrne, Coldplay, Damon Albarn, Grace Jones, Laurie Anderson e muitos mais. Sua série de discos Ambient é reconhecida como uma das mais interessantes criações musicais das últimas décadas, formada por loops e ambiências, pensada como instalações sonoras – sendo, portanto, peças perfeitas para serem ouvidas, sentidas e tocadas em sua vitrola de luz.

vitrola desenvolvida por Brian Eno

A vitrola foi lançada em edição limitada, numerada e assinada como a obra de arte que é

vitrola desenvolvida por Brian Eno

As 50 unidades foram vendidas rapidamente

vitrola desenvolvida por Brian Eno

“Ambient”, a série de discos mais famosa de Eno, é tratada como uma instalação sonora

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© fotos: Galeria Paul Stoper/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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