Ciência

Buraco negro ‘menos ameaçador do universo’ cria estrela ao invés de destruí-las

Vitor Paiva - 28/01/2022 às 08:34 | Atualizada em 31/01/2022 às 10:11

Não é por acaso que o imaginário sobre os buracos negros espalhados pela imensidão do espaço nos remete à destruição total: são pontos de campo gravitacional tão intensos que tudo ao seu redor, até mesmo a luz, é sugada para seu interior.

Uma nova pesquisa realizada pela NASA junto a cientistas da Universidade de Montana, nos EUA, e publicada na revista científica Nature, no entanto, contraria em absoluto essa destruidora conclusão: ao estudar uma galáxia anã intitulada Henize 2-10, o trabalho concluiu que foi um buraco negro que criou a galáxia.

galáxia anã intitulada Henize 2-10

A galáxia anã Henize 2-10, registrada pelo Hubble

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A conclusão foi alcançada a partir de informações coletadas pelo telescópio Hubble, que detectou um intenso processo de formação de estrelas e corpos celestes criados a partir de material expelido por um buraco negro ao centro da galáxia.

A capacidade de expelir materiais absorvidos pelos buracos negros em forma de gases era previamente conhecida, mas a alta velocidade do processo costuma impedir que alimentem a formação de novas estrelas.

No detalhe, o buraco negro ao alto, o material expelido apontado pela seta e, do lado esquerdo, as estrelas formadas

No detalhe, o buraco negro ao alto, o material expelido apontado pela seta e, do lado esquerdo, as estrelas formadas

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O tamanho da Henize 2-10, porém, parece ter permitido que os gases expelidos alimentem a formação de novas estrelas na região.

“Desde o início sabíamos que havia algo de incomum e especial acontecendo em Henize 2-10, e agora o Hubble nos deu uma imagem bastante clara da conexão entre o buraco negros e a formação de estrelas em uma região vizinha, localizada a 230 anos luz de distância do buraco negro”, afirmou Amy Reines, que liderou o estudo, mas já havia publicado as primeiras evidências do buraco negro na região, em 2011.

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A galáxia de Henize 2-10 está localizada a 30 milhões de anos-luz de distância, e a “proximidade” permitiu que o telescópio capturasse imagens e evidências espectroscópicas do material expelido pelo buraco negro com clareza.

“A incrível resolução do Hubble mostra claramente um padrão semelhante ao de um saca-rolhas nas velocidades dos gases, que se encaixa no modelo de um material oriundo do buraco negro. Uma supernova não apresentaria esse padrão, então é a prova de que trata-se de um buraco negro”, afirmou Reines. O comunicado da NASA sobre a descoberta pode ser lido na íntegra em inglês aqui.

O telescópio Hubble em seu lançamento à órbita da Terra, em 1990

O telescópio Hubble em seu lançamento à órbita da Terra, em 1990

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© fotos: NASA/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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