Debate

Capitólio: turista explica como percebeu, há 10 anos, rachadura em cânion que desabou no ‘mar de Minas’

Redação Hypeness - 10/01/2022 | Atualizada em - 13/01/2022

O desabamento de uma pedra em um cânion na cidade de Capitólio, em Minas Gerais, chocou o Brasil. As imagens gravadas na manhã do sábado (8) mostram uma enorme rocha caindo sobre barcos com turistas. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, foram contabilizadas 10 mortes por conta do acidente no chamado ‘mar de Minas’.

Desmoronamento em cânion de Capitólio (MG) deixa 10 mortos e 32 feridos

Junto das imagens chocantes da queda, outra foto viralizou. Em março de 2012, o médico Flávio Freitas fez uma postagem no Facebook mostrando um trecho dos cânions de Capitólio. O registro visual mostra uma parte do cânion, que se assemelha muito com a que caiu no último sábado (8), com uma rachadura grande. Flávio disse, na legenda da imagem, que a pedra iria cair.

Queda anunciada

O prefeito da cidade de Capitólio, Cristiano Dias (PP), deu uma entrevista à CNN onde negou a veracidade da postagem, afirmando que o local onde a foto foi tirada é diferente daquele onde a tragédia ocorreu. O médico Flávio Freitas nega e reforça que a pedra é a mesma que causou a tragédia.

Médico fez postagem alertando que rochas estavam em situação de risco há dez anos atrás

“Passei por esse local onde houve o acidente, um dos mais visitados ali em Capitólio, e aquela fenda me chamou atenção, porque realmente ela é extensa, larga. Visualmente, ela apresentava um aspecto perigoso. Fiz a foto na ocasião e escrevi: ‘essa pedra vai cair’. E passou. Quando recebi o vídeo do acidente ontem, reconheci o local. Voltei nos meus álbuns do Facebook e achei a foto, que postei de novo e gerou toda essa explosão midiática. Não foi previsão, não foi nada. Foi uma constatação”, explicou Flávio ao jornal Extra.

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“A foto foi feita em um ângulo diferente de que caiu. Os vídeos foram postados olhando essa pedra de frente, caindo em sentido de quem estava filmando. Eu estava com a lancha um pouco mais para o lado, no sentido da cachoeira. A única diferença da época para hoje é que, há 10 anos, o nível da água lá em Capitólio era cerca de 10, 12m acima do que é hoje. Realmente muda o tamanho. O que aconteceu é que a rocha estava com uma área mais exposta agora. Mas o local é o mesmo”, justificou.

Imagens do acidente mostra que as lanchas perceberam o desabamento do paredão antes das que estavam mais próximas e muitas não saíram a tempo do local:

Capitólio: 10 óbitos e mais de 30 feridos

Após a queda do paredão em Capitólio, os bombeiros se moveram para o local para iniciar as buscas por mortos e para resgatar pessoas feridas pelo acidente. Depois de dois dias de operação no local, o Corpo de Bombeiros confirmou que não existem mais desaparecidos na região.

No total, 32 pessoas que estavam próximas do paredão ficaram feridas. A maioria sofreu leves escoriações. Três turistas tiveram fraturas graves e seguem internadas até o momento.

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Foram confirmados 10 óbitos. Oito vítimas já foram identificadas pela Polícia Civil de Minas Gerais. São eles Geovany Gabriel Oliveira da Silva, 14 anos, Camila da Silva Machado, 18 anos, Maycon Douglas de Osti, 24 anos, Thiago Teixeira da Silva Nascimento, 35 anos, Geovany Teixeira da Silva, 37 anos,  Marlene Augusta Teixeira da Silva, 57 anos, Sebastião Teixeira da Silva, 64 anos e Julio Borges Antunes, 68 anos.

Confira vídeos dos resgates:

Turismo exacerbado e falta de fiscalização

Os cânions de Capitólio fazem parte da barragem da hidrelétrica de Furnas, uma construção da década de 1960. A região fui inundada artificialmente graças à construção e, desde então, se formaram os cânions de Capitólio. A rápida formação dos cânions durante seis décadas mostra que o solo da região é bastante suscetível à erosão e foi esse processo, que conhecemos lá na escola, o que causou o desmoronamento da pedra.

Cânions foram formados após construção de hidrelétrica na região; turismo cresceu de forma desordenada e falta de fiscalização foi prelúdio de tragédia em Minas Gerais

Segundo especialistas, o boom turístico na região aconteceu a partir de 2016, e, desde então, a cidade recebe até 30 mil turistas por fim de semana. Como o orçamento da cidade estourou drasticamente depois do avanço do turismo, a exploração desmedida dificulta, por exemplo, a fiscalização e regulamentação da atividade. Um estudo de 2018 realizado pela engenheira ambiental Mayumi Roberta Mota Kurimori mostrou que Capitólio sequer tinha guias turísticos registrados para realizar os passeios, mesmo com a exploração turística desenfreada.

Durante a semana que antecedeu o acidente e no dia em que o desmoronamento ocorreu, chuvas torrenciais caíam na região, causando enchentes e o risco de tromba d’água. No dia 4 de janeiro, três turistas morreram em Capitólio por conta desse tipo de fenômeno, que seria facilmente evitado caso as autoridades realizassem fiscalização e guias turísticos estivessem acompanhando os turistas.

Além disso, existe uma falta de monitoramento da própria segurança dos paredões dos cânions. “Esse desmoronamento é possível de ser detectado, assim como se monitoram os vulcões. Como você sabe que vai entrar em erupção? Pelo monitoramento. É uma questão característica e poderia ter sido previsto o desastre, mas como não tem monitoramento constante é difícil de detectar quando iria acontecer”, explicou George Sand França, professor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, à Gazeta do Povo.

“Os grandes cânions precisam ser monitorados por uma equipe específica. A gente é um país que enfrenta a desgraça e depois vai atrás do prejuízo, como aconteceu na barragem de Brumadinho (MG)”, disse.

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Fotos: Reprodução/Redes Sociais Foto 3: © Getty Images


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