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Coach que cobra R$ 3 mil por curso faz exercício de superação com 32 pessoas, mas teve que ser resgatado pelos bombeiros em trilha

11 • 01 • 2022 às 15:47
Atualizada em 12 • 01 • 2022 às 14:36
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O coach Pablo Marçal viralizou nas redes sociais. O influenciador, que mistura discursos motivacionais com a religião evangélica, promoveu uma caminhada para o topo do Pico dos Marins, um dos locais mais altos do estado de São Paulo, para uma missão de superação.

Junto dele, outras 32 pessoas fizeram uma rota que exige conhecimento de trilhas de alta dificuldade. Marçal sequer convidou um guia para auxiliá-los durante o percurso e, no meio do caminho, o grupo teve que chamar a ajuda dos bombeiros para ser resgatado.

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Marçal reuniu alguns de seus seguidores para realizar a subida ao topo que, provavelmente, é algum tipo de analogia para superação de desafios. A trilha até o Pico dos Marins não é recomendada nessa época do ano por conta das fortes chuvas que assolam o Vale do Paraíba, além dos ventos e outras questões de segurança. Ele não deu ouvidos às recomendações de segurança e vendeu seu peixe mesmo assim.

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Durante a madrugada, um dos grupos que seguia o coach messiânico pediu ajuda aos bombeiros por conta de fortes chuvas na região. A corporação foi acionada e depois de uma ação de 9 horas, conseguiu encontrar os grupos que acompanhavam o coach.

Marçal é conhecido por cobrar altos valores para seus cursos motivacionais, que chegam a custar R$ 2997.

“Totalmente irresponsável”

Nas redes sociais, vídeos motivacionais e de conquista. Nenhuma menção aos bombeiros que prestaram o serviço de socorro. “Ele foi totalmente irresponsável. Subir com um grupo de pessoas despreparadas e sem equipamento é colocá-las sob risco de morte. Essa foi a pior ação que a gente viu no Pico dos Marins”, afirma Paulo Roberto Reis, capitão do Corpo de Bombeiros.

Ao G1, guias que trabalham no local afirmam que recusaram ajudar Pablo na subida por conta do tratamento que lhes foi dado. “A maioria dos guias não se propuseram a subir por um simples fato, o cara é arrogante. O cara maltratou, desmereceu os guias que ali estavam e que falaram com ele”, publicou o guia Ricardo de Oliveira nas redes sociais.

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“Os guias alertaram ele, e teve profissional que nem quis se arriscar a subir. Quando a gente disse isso, ele respondeu ‘se vocês não sobem, a gente sobe’. Subiu e o resultado foi ter que acionar o resgate e inclusive guias para prestar apoio e tirá-los de lá”, disse.

Pablo minimizou a história, desmereceu o apoio dado pelo Corpo de Bombeiros e disse que somente irresponsáveis chegam no topo. “Algumas pessoas não suportam quem corre risco. Se você não corre risco, dificilmente você vai chegar no topo. Nossa subida na montanha, a gente correu muito risco. E aí alguém fala: ‘mas para que correr risco?’. Você que não quer correr risco, fica na sua casa assistindo os stories. Eu não mandei ninguém subir, eu fui na frente. Fui lá, subi e resolvi. Cada um subiu na sua responsabilidade”, concluiu.

Não faça trilhas e passeios de risco sem acompanhamento profissional.

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Fotos: Reprodução/Instagram


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