Inovação

Egípcia que viveu durante o século 7 a.C. tem face reconstruída em 3D por artista brasileiro

Vitor Paiva - 27/01/2022 às 09:08

Um projeto de reconstituição em 3D da face de uma mulher egípcia que viveu por volta do século 7 antes da era comum, cujo caixão foi descoberto em 1819, foi realizado pela equipe do Centro de Pesquisas da FAPAB – liderada pelo artista brasileiro Cícero Moraes, especializado em 3D.

O processo de reconstrução da face da egípcia de nome Shep-en-Isis foi registrado no estudo The Forensic Facial Reconstruction of Shep-en-Isis (A Reconstrução Facial Forense de Shep-en-Isis, em tradução livre), divulgado recentemente pela Amazon, e se baseou em documentos e registros históricos, pesquisas, dados morfológicos e topografias computadorizadas.

Shep-en-Isis

Rosto de Shep-en-Isis reconstruído em 3D

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Família da elite egípcia 

Segundo a pesquisa que embasou o estudo, Shep-en-Isis nasceu por volta do ano de 650 antes da era comum, viveu na cidade de Tebas, a cerca de 800 km do delta do Rio Nilo, e morreu entre os anos 620 e 610 AEC. Seu caixão foi encontrado em 1819 como parte de uma tumba familiar, ao lado de seu pai, Pa-es-tjenfi.

De acordo com inscrições encontradas no caixão, ela era de uma família da elite egípcia, provavelmente possuidora de educação formal, como parte de uma linhagem de sacerdotes de Amom. Desde 1820 que a múmia de Shep-en-Isis se encontra na Biblioteca da Abadia de São Galo, na Suíça.

Shep-en-Isis

Parte do processo de reconstrução, em técnica conhecida como Método de Manchester

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O processo de reconstrução da face teve como foco exclusivamente a feição, a aparência e a anatomia da mulher, sem utilizar ornamentos, joias, roupas ou outros adornos característicos do Egito antigo. De acordo matéria publicada no site Ancient Origins, o brasileiro utilizou o Método de Manchester, reconhecido como e melhor técnica forense para alcançar um melhor e mais preciso resultado nesse tipo de reconstituição.

Segundo Moraes, a reconstrução facial se baseia em dados estatísticos e anatômicos, alcançando, por exemplo, o volume da face muito compatível com o indivíduo em vida, precisando elementos como a forma geral do rosto, do nariz e dos lábios.

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Alguns elementos, como a cor dos olhos e a precisa tonalidade da pele, foram sugeridas a partir de medições gerais, baseadas em tendências específicas da região.

Conhecida como a mais famosa múmia da Suíça, Shep-en-Isis não é de forma alguma a primeira pessoa que Cícero traz diretamente do passado para a atualidade através de seu trabalho em 3D: o artista brasileiro é reconhecido por ter realizado processos similares com a face de personagens como Maria Madalena, o faraó akhenaton e até mesmo Jesus Cristo.

Shep-en-Isis

A múmia de Shep-en-Isis, encontrada em 1819

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© fotos: FAPAB/Cícero Moraes


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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