Inspiração

Ele foi viciado em heroína, largou as drogas e se tornou militar da guarda da rainha da Inglaterra

Vitor Paiva - 14/01/2022

A história do britânico Paul Boggie poderia ser só mais uma trajetória triste, marcada pelo uso de drogas pesadas conduzindo um jovem promissor ao vício e mesmo à morte.

Sua incrível força de vontade, capaz de promover uma guinada tão radical quanto positiva, tornou sua vida em um tocante exemplo, do jovem viciado em heroína que superou o quadro e se tornou membro da honorável Guarda Escocesa do Palácio de Buckingham, divisão responsável por proteger as residências reais e a própria rainha da Inglaterra: é fácil compreender, portanto, o motivo pelo qual seu caminho, das drogas ao palácio, virou tema de uma reportagem da BBC.

Paul Boggie

Paul Boggie contou sua história de superação em livro

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Segundo a matéria, Boggie começou a usar heroína aos 18 anos, quando morava em um subúrbio da cidade de Edimburgo, na Escócia, em um período em que se encontrava chateado com amigos – um deles lhe ofereceu a droga, e ele decidiu experimentar, fumando a droga. Em seu relato, o militar revela que rapidamente contraiu uma dívida de cerca de 16 mil libras, equivalentes a 120 mil reais, e aos poucos passou a usar heroína todos os dias.

“Não me via como o estereótipo do viciado em heroína. (A droga) não havia afetado meu corpo”, relata, lembrando que por muito tempo conseguiu esconder o hábito da família e de seus empregadores.

Paul Boggie

Seu vício em heroína começou por volta dos 18 anos de idade

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O guarda da rainha Elizabeth II

Com o passar dos anos, no entanto, o quadro que parecia estável se agravou, e Boggie não só perdeu o emprego e as pessoas ao seu redor: sua vontade de viver também foi embora. Seu quadro o aproximava de um fim trágico, mas um curso na ONG Cyrenians, focada em pessoas em situação de rua, mudou sua forma de ver sua própria vida – e, olhando pra si mesmo diante do espelho, ele decidiu abandonar as drogas, e nunca mais voltou à heróina: aos 30 anos, ele enfim ingressou nas forças armadas, e em seis meses ele estava designado para a guarda do Palácio de Buckingham.

Um acidente, porém, o levou a ter de consumir analgésicos e, com o remédio, o vício retornou – ele, porém, resistiu e, assim como largou a heroína, deixou também de usar os analgésicos.

Paul Boggie

A trajetória militar o ajudou a superar o vício

Paul Boggie

Boggie trabalhando como parte da guarda real

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A quarentena e, assim, a pausa imposta pela pandemia da Covid-19 levou Boggie a contar sua história em um livro, a fim de inspirar outras pessoas que estejam enfrentando situações tão dramáticas quanto as que ele enfrentou.

Assim nasceu Heroin to Hero (Da heroína a herói, em tradução livre), livro cujos valores arrecadados pelas vendas são inteiramente revertidos para ajudar pessoas em situação de rua. Além da obra, o militar também oferece palestras em escolas, instituições e presídios, a fim de contar sua história e alertar para os efeitos que as drogas podem ter sobre seu corpo e sua vida. A reportagem da BBC pode ser lida aqui.

Paul Boggie

O britânico com uma cópia de seu livro

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© fotos: Paul Boggie/Arquivo Pessoal


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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