Ciência

Estrela supergigante tem morte observada por astrônomos pela primeira vez

Vitor Paiva - 12/01/2022

Astrônomos pela primeira vez observaram a morte de uma estrela supergigante vermelha, registrando a transformação do imenso astro em uma supernova através de dois telescópios.

Segundo estudo publicado recentemente na publicação científica The Astrophysical Journal, a supergigante se transformou em uma supernova do tipo II, um tipo de estrela nascida de uma explosão que apresenta linhas de absorção de hidrogênio: a estrela foi inicialmente observada em 2020 e, meses depois, a supernova foi detectada nos céus.

Representação artística da estrela supergigante vermelha

Representação artística da estrela supergigante vermelha

Representação artística da estrela supergigante vermelha explodindo

O momento da explosão, em recriação

-Imagem de estrela morta captada pelo Hubble é tão mágica que parece ficção

“Este é um grande avanço em nossa compreensão do que as estrelas massivas fazem momentos antes de morrer“, conta Wynn Jacobson-Galán, principal autor do estudo, realizado utilizando os telescópios o Panoramic Survey Telescope (Pan-Starrs), da Universidade do Havaí, e o Observatório W. M. Keck, no Mauna Kea, também no Havaí.

O primeiro registro da explosão estelar denominada supernova 2020tlf ou SN 2020tlf foi feito a partir de um espectrômetro de imagem de baixa resolução, no observatório, em observação sem precedentes, ocorrido na galáxia NGC 5731, localizada a cerca de 120 milhões de anos-luz da Terra.

Representação da supernova, após a explosão

Representação da supernova, após a explosão

-Esta é a fantástica imagem ilustrando o momento em que um buraco negro engole uma estrela

“Nunca confirmamos, até agora, tal atividade violenta em uma estrela supergigante vermelha moribunda, onde a vemos produzir uma emissão luminosa, então entrar em colapso e entrar em combustão”, afirmou, em comunicado, Raffaella Margutti, autora sênior da pesquisa, que comparou o fenômeno a observar uma bomba-relógio funcionando.

A estrela supergigante vermelha registrada no estudo é cerca de 10 vezes mais massiva que o Sol, e a descoberta atualiza ideias prévias a respeito de como esse tipo de astro se comporta antes de explodir: evidências de material circunstelar denso, ao redor da estrela, foram detectadas no momento da explosão.

-Estrela em forma de lágrima pode explicar mistério da expansão do Universo

Pesquisas anteriores jamais registraram sinais de erupções violentas e grandes emissões luminosas em estrelas e fenômenos similares: a nova observação sugere que tais astros atravessam transformações estruturais internas antes de emitirem gases e explodirem.

“Detectar mais eventos como SN 2020tlf terá um impacto dramático em como definimos os meses finais da evolução estelar, unindo observadores e teóricos na busca para resolver o mistério de como estrelas massivas passam os momentos finais de suas vidas”, afirmou Jacobson-Galán.

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© artes/vídeo: W. M. Keck Observatory/Adam Makarenko


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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