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‘Eu escolhi esperar’: projeto de abstinência sexual vai virar lei no ES; especialistas criticam negacionismo do sexo

Redação Hypeness - 18/01/2022 às 15:47 | Atualizada em 18/01/2022 às 16:38

O prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Progressistas-ES) sancionou por falta de manifestação um projeto de lei que vai implementar o ensino de abstinência sexual nas escolas e nas unidades básicas de saúde. A cidade se torna a primeira capital a aprovar uma lei desse sentido no século XXI.

O projeto de lei foi proposto pelo presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), ligado com a forte bancada evangélica que domina uma parcela da política capixaba.

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Davi Esmael (PSD), conservador responsável pelo projeto de abstinência sexual nas escolas da capital capixaba

O PL foi votado e aprovado na Câmara e, posteriormente, enviado ao gabinete do prefeito. Como o executivo municipal não se manifestou, o “Eu Escolhi Esperar” foi aprovado. “O prazo constitucional de 15 dias úteis do Projeto transcorreu sem manifestação dos órgãos da Prefeitura Municipal de Vitória, razão pela qual foi devolvido à Câmara Municipal de Vitória”, disse a Prefeitura em nota.

Vale lembrar que Davi Esmael é ligado ao prefeito Pazolini. O chefe do executivo de Vitória foi um dos poucos candidatos conectados ao presidente Jair Bolsonaro que conseguiu se eleger para uma capital durante as eleições de 2020.

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Esmael é ligado a grupos conservadores radicais. Através de nota, a Câmara de Vereadores de Vitória informou que a lei será sancionada em sessão extraordinária em fevereiro. O evento contará com a presença do pastor Nelson Júnior, que é líder do movimento religioso “Eu Escolhi Esperar” em terras capixabas.

Abstinência sexual não funciona

Depois de ser transformado  em lei, o projeto autorizará unidades de saúde e escolas a ensinar a abstinência sexual como forma de proteção para ISTs e para a gravidez não planejada. Entretanto, é fato conhecido que esse tipo de educação não é eficaz à nível de saúde pública.

“É uma opção de algumas famílias, algumas pessoas, mas, pensando na população em geral, na massa, não vejo eficácia. A gente precisa ser realista e, ao invés de fingir que não vai acontecer [relação sexual], a gente tem que dar assistência em saúde e oferecer métodos anticoncepcionais e aconselhamento”, afirmou a professora da Ufes e médica ginecologista Chiara Musso à Gazeta.

“Essa discussão de gravidez na adolescência deveria ser mais ampla, sobre quais são os fatores sociais que fazem com que tenhamos tantos adolescentes nessa condição, que não têm acesso a serviço de saúde e educação de qualidade. Se a gente não tiver esse caminho de mudança social, é pouco provável que a gente atinja a redução desses indicadores. Está muito além de reduzir a discussão em sexo ou não sexo”, afirmou o médico de Família e Comunidade e professor da UVV, Diego Brandão ao mesmo jornal.

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Foto: Tati Beling/Reprodução


Redação Hypeness
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