Debate

Homem trans que deu à luz critica enfermeiras que lhe chamaram de ‘mãe’

12 • 01 • 2022 às 10:14
Atualizada em 13 • 01 • 2022 às 10:28
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Bennett Kasper-Williams é um homem trans casado com Malik desde 2019. Os dois se conheceram em 2017, cerca de três anos depois de Bennet iniciar sua transição. Quando o casal, que vive em Los Angeles, decidiu que queria ter filhos, Bennett optou por interromper a terapia hormonal que fazia com testosterona para que seus ovários funcionassem. 

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Bennett grávido do filho Hudson.

A história de Bennett

Bennett descobriu a gravidez de Hudson em março de 2020. Ele e Malik estavam tentando havia pouquíssimo tempo e não achavam que o resultado viria tão rapidamente. A criança nasceu em outubro daquele ano.

Isso foi cerca de uma semana antes de entrarmos em confinamento aqui em março de 2020, então meu alto astral foi rapidamente substituído pela ansiedade em torno da pandemia e como eu manteria a mim e meu bebê seguros“, relembra. 

Ao longo de sua transição, Bennett conta nunca ter entrado em disforia com seu corpo. Mas demorou a entender que poderia engravidar mesmo sendo um homem e que isso nada tinha a ver com sua própria identidade de gênero. 

Eu sempre soube que era uma possibilidade que meu corpo pudesse engravidar, mas não era algo que eu queria fazer até aprender a separar a função do meu corpo de qualquer noção de gênero. Uma vez que aprendi a pensar no meu corpo como uma ferramenta e não uma coleção de estereótipos de gênero, percebi que poderia ser a pessoa que eu queria e trazer uma criança ao mundo“, conta. 

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A disforia de gênero nunca atingiu Bennett, até o dia em que ele chegou ao hospital para o parto. Mesmo com a aparência e o nome masculinos, ele era a todo momento chamado de “mãe”, algo que não o deixou confortável. 

A única coisa que me deixou disfórico sobre minha gravidez foi o erro de gênero que aconteceu comigo quando eu estava recebendo cuidados médicos para minha gravidez”, conta. 

Ele diz que “mesmo com a barba cheia, um peito liso e um marcador de gênero ‘masculino'” em toda sua identificação, as pessoas só o chamavam de “mãe”, “mamãe” ou “senhora”. 

O negócio da gravidez – e sim, eu digo negócios, porque toda a instituição de assistência à gravidez na América está centrada em vender esse conceito de ‘maternidade’ – está tão entrelaçada com o gênero que era difícil escapar de ser confundido com o gênero.

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Fotos: Instagram/Reprodução


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