Ciência

Iceberg gigantesco derrete e despeja 152 bilhões de toneladas de água doce no oceano

Vitor Paiva - 31/01/2022 às 10:02 | Atualizada em 31/01/2022 às 10:09

O iceberg que um dia foi o maior do mundo se partiu no ano passado em milhares de pedaços menores no oceano, para em seguida derreter até desaparecer: conhecido como A68, o bloco de gelo tinha uma área de quase 6 mil km2 quando se desprendeu da Antártica, em 2017, com uma dimensão que então ameaçava afetar diversos padrões oceânicos, como o nível da água, rotas animais e até mesmo o subsolo do mar.

Foi para registrar e estudar esses impactos que cientistas da Universidade de Leeds, na Inglaterra, registraram os passos do A68 até o imenso iceberg – o sexto maior já registrado na história – derreter por completo, em abril de 2021.

A68

O iceberg se desprendeu da Antártica em 2017

-Iceberg de 315 bilhões de toneladas, o maior em 50 anos, se desprende da Antártida

Impactos do derretimento do iceberg 

O estudo acompanhou o iceberg por cerca de três anos e meio, utilizando medições de satélite e informações coletadas diretamente, e foi publicado em artigo na revista científica Remote Sensing of Enviroment, revelando que o iceberg se transformou em 152 bilhões de toneladas de água doce no oceano da região da Geórgia do Sul, potencialmente causando forte impacto sobre o ecossistema da ilha desabitada próxima às Malvinas.

De acordo com o artigo, a quantidade de água liberada pelo gigantesco bloco de gelo é equivalente a 61 milhões de piscinas olímpicas “derramadas” no oceano ao longo do período.

A68

Seus quase 6 mil quilômetros quadrados são equivalentes ao tamanho da Palestina

-Caça aos Icebergs: gelo de 10 mil anos é utilizado para fabricar a vodka mais pura do mundo

Estima-se que, ao todo, um trilhão de toneladas de gelo tenham derretido desde o momento em que o bloco de gelo se desprendeu do continente. Desde 2017, o A68 percorreu cerca de 4 mil quilômetros até desaparecer, se deslocando inicialmente para a região norte da Antártica e em seguida na direção do Atlântico Sul.

Ao se aproximar das águas quentes do Território Ultramarino Britânico da Geórgia do Sul, a preocupação dos cientistas era de que o iceberg encalhasse nas águas rasas da região e bloqueasse a rota de animais como focas, baleias e pinguins.

A68

Estima-se que o derretimento ao todo do A68 tenha produzido 1 trilhão de litros de água

-Dezenas de baleias azuis são vistas na Antártida pela primeira vez desde os anos 1980

A perda de espessura e altura, e o início do processo de rompimento, no entanto, impediu que o bloco de gelo encalhasse. Além das informações de satélite, o instituto de pesquisas polares britânico British Antarctic Survey conseguiu implementar planadores robotizados ao redor do A68, a fim de monitorar os últimos períodos “de vida” do iceberg, e coletar ainda mais informações.

As mudanças de forma e o impacto sobre os luxos de água e correntes a partir do derretimento estão presentes no artigo recente: os próximos estudos irão medir os efeitos dos bilhões de litros de água sobre o ecossistema da região.

A68

Antes de desaparecer, o iceberg se fragmentou em milhares de menores pedaços

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© fotos 1, 2: Wikimedia Commons

© fotos 3, 4: Flickr/CC


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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