Ciência

Região de SP cresceu dentro de cratera gigante gerada pelo impacto de objeto extraterrestre

13 • 01 • 2022 às 10:10
Atualizada em 17 • 01 • 2022 às 11:41
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Localizada a somente 40 quilômetros da Praça da Sé, no centro de São Paulo, a Cratera de Colônia é uma formação geológica circular com cerca de 3,6 km de diâmetro em Parelheiros, na periferia ao sul da cidade.

A cratera permaneceu ignorada por cientistas e pesquisadores até a década de 60, quando fotos aéreas e imagens de satélite revelaram o formato. Desde então, diversos estudos buscam compreender a origem de tal formação, confirmada através de uma série de estudos geológicos recentes como tendo ocorrido a partir do impacto de um imenso objeto extraterrestre que há milhões de anos caiu no local.

Cratera de Colônia

O horizonte da região onde a Cratera da Colônia se formou com o impacto, em São Paulo

-A cidade alemã que foi erguida em uma cratera sobre milhares de toneladas de diamante

A cratera

As pesquisas recentes foram conduzidas pelo geólogo Victor Velázquez Fernandez, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), iniciadas em 2013 com apoio da FAPESP. Segundo Velázquez, o impacto aconteceu entre 5 milhões e 36 milhões de anos atrás, e produziu um buraco de 3,6 quilômetros de diâmetro, com cerca de 300 metros de profundidade e uma borda soerguida de 120 metros.

“Ao longo do tempo, e devido ao intenso processo de intemperismo característico do território brasileiro, esse buraco foi inteiramente preenchido por sedimentos e coberto pela vegetação, resultando em uma área plana circundada por colinas”, afirmou o geólogo à Agência FAPESP.

Cratera de Colônia

O raio da Cratera de Colônia apontado no mapa

-A cidade do Mato Grosso que fica dentro da maior cratera de asteroide da América do Sul

“No caso de Colônia, a forma circular perfeita, registrada nas fotografias aéreas, constituía forte indício de uma estrutura de impacto, formada pela colisão de um cometa ou asteroide na superfície terrestre.

Mas não era, por si só, um dado suficiente para confirmá-la. Por isso, tivemos que partir para o estudo petrográfico, com a análise microscópica dos sedimentos”, disse o pesquisador. O estudo de sedimentos coletados a partir de perfurações de até 300 metros de profundidade na região trouxe evidências a partir da transformação de diversos minerais, especialmente quartzo e zircão, que só poderiam ter acontecido após um grande impacto.

-México chama atenção do mundo por cratera gigante que não para de crescer

“Para a transformação desses minerais é necessária uma pressão superior a 40 quilobars [40 mil vezes a pressão atmosférica padrão] e uma temperatura da ordem de 5 mil graus Celsius. Esses patamares de pressão e temperatura são característicos da potente liberação de energia resultante do impacto na superfície terrestre de um objeto proveniente do espaço interplanetário”, concluiu o pesquisador, para a Agência FAPESP.

Novos estudos, atualmente sendo realizados no Canadá com cerca de 50 amostras, buscam explicar que tipo de objeto causou o impacto – se um corpo metálico ou rochoso, como um asteroide, ou um objeto formado por gelo, como um cometa.

Cratera de Colônia

Parte da região da Cratera de Colônia é habitada, com cerca de 47 mil habitantes

-A impressionante cratera de Batagaika, na Sibéria, é um alerta contra o desmatamento

A preservação da Cratera de Colônia como um local de grande importância científica é outro esforço importante dos pesquisadores.

Quando foi declarado “Monumento Geológico” pelo Conselho Estadual de Monumentos Geológicos do Estado de São Paulo (CoMGeo-SP) em 2009, parte da área já estava ocupada: principalmente pelo bairro de Vargem Grande, a região possui cerca de 47 mil habitantes.

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© fotos 1, 3: Wikimedia Commons

© foto 2: Agência FAPESP


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