Sustentabilidade

Rio Grande do Sul pode ter sensação térmica de 50º C; entenda onda excepcional com calor até 15 graus acima da média

10 • 01 • 2022 às 15:26
Atualizada em 12 • 01 • 2022 às 10:22
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Nessa semana, uma série de publicações brasileiras, uruguaias e argentinas tem alertado para uma  onda de calor que pode afetar toda a região sul do continente a partir do dia 12 de janeiro. Temperaturas acima de 50º C seriam registradas em Buenos Aires, Montevideo e, em Porto Alegre, 47ºC com sensação de 50ºC poderiam ocorrer.

Caso a previsão se concretize, os recordes de temperatura seriam superados em todos os níveis. Seria a temperatura mais alta da história de Porto Alegre (o recorde era de 40,7 ºC), do Rio Grande do Sul (42,3 ºC), do Brasil (44,8ºC) e da América do Sul (48,9ºC).

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Previsão de modelo estadunidense afirma que Porto Alegre enfrentará temperaturas históricas

Haverá realmente calor de 50º C no Rio Grande do Sul?

Mas de onde surgiu essa previsão e qual é a chance desses números se tornarem realidade? Essas projeções foram feitas pelo modelo Global Forecast System (GFS), um algoritmo utilizado pelo governo dos Estados Unidos, que utiliza milhões de dados para fazer uma previsão do tempo de todo o planeta.

Esse é apenas um dos diversos modelos utilizados ao redor do mundo para estabelecer esse tipo de previsão. Ou seja, existem outros modelos meteorológicos que indicam outras temperaturas para a mesma região e, para os especialistas, o modelo dos EUA não é necessariamente o mais preciso.

Modelo mostra temperaturas extremas no Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina

Em texto para o MetSul, a meteorologista Estael Silva, mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), explica que o GFS fez apenas uma simulação.

“Por isso, quando fazemos uma previsão do tempo, não consideramos apenas um modelo em particular, mas todo um conjunto de dados. Mundialmente, meteorologistas atentam muito às simulações do modelo ECMWF, europeu, que possui um índice de precisão maior que o norte-americano. Foi o que, com base em processamento de dados de satélites polares, conseguiu antecipar com precisão o posicionamento da tempestade Sandy que causou desastre na região de Nova York em 2012 ao passo que outras simulações foram incapazes de antecipar o que viria a ocorrer”, escreve.

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Entretanto, ela afirma que esses modelos tendem a exagerar quando se fala da região sul da América do Sul e que, provavelmente, ocorrerá uma onda de calor, mas com níveis de temperatura mais baixos do que os previstos pelo modelo de projeção NFS.

“Normalmente, sequer viríamos a público para trazer estes dados e fazer comentários quase dez dias antes porque, como explicado, podem mudar muito. Sem mencionar o risco de que alguns meios de imprensa e parte do público compreendam equivocadamente que a MetSul está a prever calor de quase 50ºC, o que não está, em uma era de crônica desinformação e hipérboles por redes sociais como Whatsapp e portais de internet. Ocorre que se avolumam os questionamentos do público, que está vendo tais valores em diferentes sites e aplicativos populares de celular que fazem uso do GFS, e as pessoas precisam entender o que estão enxergando e ter uma palavra profissional”, disse.

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O que é certo é que haverá uma onda de calor extremo em toda a região sul da América do Sul, mas é difícil prever com precisão quais serão os níveis certos de temperatura com tanta antecedência. Talvez os recordes não sejam batidos, mas é mais um evento climático extremo que o Brasil enfrentará em 2022.

Na Argentina, autoridades se preocupam e o tema se tornou amplamente debatido nas redes sociais.

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Fotos: Foto 1 e Destaques: © Getty Images Foto 2: Reprodução/MetSul


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