Ciência

Terceira dose: entenda importância de vacina contra a variante ômicron

Vitor Paiva - 17/01/2022 às 11:18 | Atualizada em 19/01/2022 às 09:25

Além de um aumento extremo no número de infectados, a Ômicron trouxe dúvidas sobre os efeitos das vacinas sobre essa variante da Covid-19 e o próprio futuro da pandemia. Um novo estudo realizado por cientistas franceses e belgas buscou justamente responder tais questões, e compreender a relação da cepa com os anticorpos oriundos das vacinas em suas diferentes doses, bem como de contágios anteriores. Medindo as dosagens e quantidades de anticorpos suficientes ou insuficientes para neutralizar a variante, em levantamento publicado em dezembro de 2021 na revista científica Nature, o estudo reforça a importância da terceira dose no combate à pandemia.

Representação em 3D das mais de 30 mutações na proteína spike da variante Ômicron

Representação em 3D das mais de 30 mutações na proteína spike da variante Ômicron

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O estudo para determinar a reação da Ômicron aos diferentes anticorpos foi realizado por cientistas do Institut Pasteur e o Vaccine Research Institute, ambos institutos franceses, junto a cientistas da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, trabalhando tanto com o material sanguíneo coletado de pessoas vacinadas ou previamente infectadas. As amostras incluíam pessoas imunizadas com vacinas da Pfizer e da Astrazeneca, medindo as diferenças entre uma, duas ou três doses, bem como a relação da nova cepa com os anticorpos oriundos de um contágio da doença.

A Ômicron e as vacinas

Segundo o estudo, entre pessoas vacinadas com duas doses tanto da Pfizer quanto da Astrazeneca, cinco meses após a vacinação os anticorpos já não neutralizavam a variante, em processo semelhante ao ocorrido com pessoas que desenvolveram anticorpos após contágio com o vírus nos 12 meses anteriores. Alguns anticorpos do grupo estudado perderam toda a capacidade antiviral, enquanto outros apresentaram perda de eficácia entre 3 a 80 vezes diante da Ômicron, se comparados à relação com a variante Delta.

vacinação

O estudo reitera a eficácia da terceira dose contra a nova cepa

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A eficácia da terceira dose

A boa notícia do estudo é que o aumento do nível de anticorpos provocado pela terceira dose ou dose de reforço foi suficiente para neutralizar a nova cepa, permanecendo eficaz inclusive em indivíduos analisado um mês após serem vacinados. A conclusão aponta que, mesmo perdendo parte da eficácia contra infecção, a terceira dose é capaz de proteger os pacientes contra quadros mais graves da doença. “Agora precisamos estudar a duração da proteção da dose de reforço”, afirmou Olivier Schwartz, um dos autores do estudo, em nota. “As vacinas provavelmente se tornam menos eficazes em oferecer proteção contra a infecção pelo vírus, mas devem continuar protegendo contra formas graves”.

A variante Ômicron

A variante Ômicron vem sendo mais contagiosa do que as anteriores

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© foto 1: Institut Pasteur/Félix Rey

© fotos 2, 3: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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