Diversidade

Transfobia: conheça trajetória de rapper alvo de preconceito em praia de SP

11 • 01 • 2022 às 10:49
Atualizada em 11 • 01 • 2022 às 10:52
Redação Hypeness
Redação Hypeness Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

O ano de 2022 mal começou e a transfobia já está rolando solta. Nada de novo sob o sol, já que estamos no país que mais mata pessoas transexuais no mundo. Foram 80 assassinatos só no primeiro semestre de 2021.

Felizmente, esse caso não acabou em tragédia (isso se você não considerar a ignorância e a falta de noção das pessoas uma tragédia), mas com certeza deve ter sido extremamente incômodo para o rapper Jupi77er. No dia 3 de janeiro ele, que é um homem trans não-binário, teve que lidar com uma situação extremamente constrangedora, quando uma absoluta desconhecida o abordou e quis saber o que ele tinha “no meio das pernas” (sic).

O caso aconteceu em uma praia no Guarujá (SP), na primeira semana do ano. Enquanto aproveitava o dia com amigos, uma mulher o abordou perguntando se eles não iriam embora logo. Jupi77er respondeu que não, pois haviam comprado um terreno na região, então a senhora, sem nenhum constrangimento ou senso de oportunidade, perguntou ao rapper o que ele era.

A resposta não podia ser melhor: “Sou maravilhoso!”, respondeu. E então veio o suprassumo da falta de noção. A senhora, não contente em ser totalmente inconveniente, soltou a pérola: “Mas o que você tem no meio das pernas?”.

O rapper fez um relato do caso nos stories da sua conta no Instagram.

Se eduque

A comunidade LGBTQIA+ está cansada, pessoal. Então não dá mais para vir com a desculpa de que a mulher só estava curiosa ou que ela tinha a intenção de aprender. Se essa era a intenção de fato (o que abre espaço para dúvida, devido à brutalidade da abordagem), não é assim que faz.

Muita gente da comunidade não se importa em explicar os detalhes de sua sexualidade ou identidade de gênero. E isso é lindo. Mas é preciso entender que nem todo mundo tem vocação ou paciência para ensinar. Especialmente quando o “aluno” não tem um pingo de noção e já vem com perguntas íntimas, normalmente sobre a genitália da pessoa. Muitas vezes, antes mesmo de perguntar o nome. Portanto, antes de soltar um absurdo desse e ficar conhecido como o “espalha rodinha”, se eduque.

Procure informação. Há milhares de livros, artigos e trabalhos acadêmicos que dão conta de explicar exatamente tudo o que você precisa saber para viver em sociedade sem se comportar como uma pessoa babaca. Existem também inúmeros sites, perfis em redes sociais e canais no YouTube produzidos por pessoas de todas as letras da máfia do alfabeto. Sair da sua zona de conforto e entender um pouco mais sobre as diferenças entre as pessoas que compõem a sociedade em que vivemos parece uma boa meta para esse novo ano que começa, não?

‘Eu tenho até um amigo que…’

Voltando ao caso do rapper Jupi77er, infelizmente a falta de noção da mulher não parou nos detalhes da genitália alheia. Ao responder que isso não interessava a ela, a mulher retrucou dizendo que só queria saber porque achava legal. Tinha até um amigo gay.

*momento para suspirar e revirar os olhos*

Caros leitores, não façam isso. Não tentem justificar seu ato racista, machista, transfóbico ou preconceituoso de qualquer espécie, com esse argumento. Você só vai estar passando vergonha e mostrando para todo mundo quão ignorante você ainda é. Em 2022. Por favor, melhore.

Em um país como o Brasil, onde respiramos aliviados quando um caso de transfobia não termina em assassinato, uma abordagem como essa pode parecer normal ou inofensiva, mas não é. Esse tipo de assédio traz incontáveis problemas para quem o sofre. Desde traumas profundos até ataques de pânico ao sair na rua. É responsabilidade de todos contribuir para que isso não aconteça. Nesse link você pode ver o relato completo do caso narrado pelo próprio jupi77er.

Trajetória no rap

Para quem ainda não conhece o Mc Jupi77er, ele faz parte do duo paulista Rap Plus Size formada em 2016 junto com sua parceira de palco Sara Donato, na zona norte de São Paulo. A temática do grupo gira em torno do movimento body positive, além de letras de inspiração feminista e outras que criticam o racismo e o machismo. Lançaram em 2016 seu álbum de estreia de nome homônimo com 13 faixas que contam com a participação das cantoras Rubia Fraga do RPW, Tássia Reis do Rimas & Melodias e Luana Hansen.

Marcaram presença no clipe de Monkey Jhayam e Gaby Amarantos, Pulelê, de 2018, ao lado da cantora Preta Rara, as irmãs Alexandres, as dançarinas Jess e Darlita, os grupos de dança Força Queens e Twerk Brasil.

Em 2019 participaram do festival Artistas de Rua e da programação do Menos30 Fest, evento de empreendedorismo promovido pela Globo. Ainda no final de 2019 fizeram uma live para falar sobre o novo repertório do disco lançado, “Grandiosa Imersão em Busca do Novo Mundo”. Os beats elaborados pelo produtor e criador do selo TEIAinc.: Vibox (Victor Machado), tem como influência a profundidade do oceano, caracterizando fortemente a musicalidade do álbum, explorando temas que envolvem a quebra das amarras sociais, na construção de uma realidade, igualitária e justa.

Em 2021 participaram do 8ª Festival de Mulheres no Hip Hop e foram destaque na programação de lives da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Para conhecer mais sobre o trabalho da dupla, você pode conferir os clipes no canal do YouTube ou seguir o perfil da dupla no Instagram.

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Fotos: Reprodução: IG, Instagram e Getty Images.


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