Inovação

Biodegradável e antimicróbios: conheça o plástico de gelatina desenvolvido por brasileiros

Vitor Paiva - 11/02/2022 às 09:58 | Atualizada em 15/02/2022 às 09:44

Encontrar uma alternativa para as milhões de toneladas de plástico produzidas e desperdiçadas anualmente é missão central de pesquisadores e cientistas que buscam solucionar um dos grandes problemas ambientais do planeta. Pois o Grupo de Compósitos e Nanocompósitos Híbridos (GCNH) do Departamento de Física e Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Ilha Solteira vem fazendo sua parte, e desenvolveu um bioplástico ou “plástico verde”, que utiliza gelatina incolor, do tipo encontrada em qualquer supermercado, como matéria-prima, somada à argila para alcançar um filme semelhante ao plástico, resistente e durável.

O bioplástico de gelatina e pimenta desenvolvido pela equipe

O bioplástico de gelatina e pimenta desenvolvido pela equipe

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Diferentemente do plástico comum, que permanece por séculos na natureza, a novidade desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros é biodegradável, e substitui o petróleo não renovável como matéria prima ao utilizar gelatina extraída do tutano de boi somada à argila cloisita Na+ como base. A pesquisadora e química Márcia Regina de Moura Aouada, coordenadora do estudo e professora da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (Feis-Unesp) lembra que a gelatina foi um dos primeiros materiais usados para a produção de biopolímeros, e segue sendo utilizada por conta da sua abundância, o baixo custo de produção e suas excelentes propriedades para a formação dos filmes biodegradáveis.

À esquerda, a mistura para o preparo; à direita, o bioplástico pronto

À esquerda, a mistura de gelatina para o preparo; à direita, o bioplástico pronto

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O plástico verde da Unesp apresentou capacidade de suportar trações de até 70 megapascals (70 MPa), com “força”, portanto, consideravelmente maior que o plástico convencional, feito à base de polietileno, que apresenta resistência média entre 20 e 30 MPa. Além da argila, a fórmula também utiliza uma nanoemulsão de óleo essencial de pimenta-preta, a fim de melhorar o sabor e o odor da embalagem comestível para, dessa forma, também ampliar a vida útil do alimento embalado, através de componentes antimicrobianos e antioxidantes. Tais funções são fundamentais, já que o bioplástico foi desenvolvido para servir como embalagem para hambúrgueres de carne bovina, especialmente sujeita à contaminação.

Outro exemplo de bioplástico feito pela equipe da Unesp

Outro exemplo de bioplástico feito pela equipe da Unesp

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As pesquisas do GCNH na Unesp se baseiam nos ideais de economia circular, reutilizando resíduos para a fabricação de novos produtos, e buscam se enquadrar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU. Além do plástico verde, a equipe de pesquisadores trabalha em curativos feitos com celulose bacteriana e diversas outras embalagens comestíveis e biodegradáveis, feitas com o objetivo de serem inseridas no mercado para ajudar a reduzir as 350 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente a partir de fontes não renováveis. A pesquisa de desenvolvimento do plástico de gelatina foi publicada na revista científica Polymers.

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© fotos: Unesp/Reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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