Ciência

Brasil ganha mapeamento de fungos ameaçados de extinção para evitar desastre

Redação Hypeness - 04/02/2022 às 10:32

Já imaginou um fungo que transforma insetos em zumbis? Ele existe e é apenas uma das espécies mapeadas que serão incluídas na lista dos ameaçados de extinção. Mas qual o risco real desse desaparecimento? Vem comigo que te explico no caminho!

Os fungos são essenciais para a vida no planeta Terra. Ainda que alguns sejam pequenos e pouco notados, eles são parte importante do nosso cotidiano. Eles estão presentes na produção de medicamentos e na nossa alimentação – que além de passar pelos cogumelos, atuam na fabricação de queijos, pães, vinhos e cervejas, entre outros itens bastante consumidos.

fungo ameaçado de extinção

Aegis luteocontexta é mais uma espécie degradadora de madeira considerada rara e vulnerável | Foto: Felipe Bittencourt

Os fungos estão envolvidos em processos-chave nos ecossistemas naturais e permitem que a vida como a conhecemos exista.

A frase da jornalista Camila Raposo, da Agecom/UFSC, resume bastante a importância de pensarmos na preservação desses organismos. Ninguém aqui quer ficar sem pão, queijo, cerveja e vinho, certo?

Fungos ameaçados de extinção

O grupo de pesquisa Mind.Funga, ligado ao Laboratório de Micologia (Micolab) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), listou ao menos 21 novas espécies de fungos e liquens brasileiros que serão incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Austroboletus festivus é uma espécie de fungo encontrada em solo de areia branca em áreas de restinga | Foto: Magnago, Altielys & Neves, Maria/ UFSC

Os encontros realizados ao longo de setembro e outubro reuniram, além das equipes do Mind.Funga e do Micolab, 18 pesquisadores de nove estados das cinco regiões do país. Até o fim de 2022, o grupo segue em processo de avaliação para outras 30 propostas de inclusão de espécies na Lista Vermelha.

A ideia deste encontro foi principalmente engajar os pesquisadores no tema da conservação, alertando para os riscos caso espécies sejam extintas.

As 21 espécies já avaliadas são distribuídas em dois filos (Ascomycota e Basidiomycota) e oito ordens, e a maior parte está ameaçada de extinção em algum grau.

Um exemplo é a Cladonia dunensis, um líquen encontrado apenas em uma faixa entre as dunas da Praia de Itapirubá, em Imbituba. Por conta dessa distribuição extremamente restrita, e justamente numa área altamente visada pelo turismo e alvo de especulação imobiliária, ela foi avaliada como criticamente ameaçada de extinção. Ou seja, se nada for feito, tem uma chance alta de desaparecer nas próximas décadas.

Líquen Cladonia dunensis é encontrado apenas em uma faixa entre as dunas em Imbituba | Foto: Emerson Gumboski/ UFSC/ Divulgação

Conservação de fungos e liquens

Os resultados do workshop chamam a atenção para a necessidade de se implementar, no país, políticas de conservação da funga – termo que designa as espécies de fungos de uma determinada região, assim como a flora e a fauna dizem respeito às plantas e aos animais.

“Todos saímos do workshop com o entendimento de que algo maior precisa ser feito para que os fungos de fato sejam considerados no cenário nacional da conservação da biodiversidade”, comentam os coordenadores.

Se estamos batalhando por manter as florestas de pé, que são extensas e chamam atenção global, imagine qual a política de conservação de fungos no Brasil? Se você respondeu nenhuma, acertou em cheio. Os fungos sequer são mencionados em leis ou planos de conservação.

Também não existe uma lista vermelha para a funga no país – há relações oficiais somente para a flora e a fauna. Os corrdenadores do workshop apontam como urgente a necessidade de capacitar os micólogos para as avaliações de estado de conservação das espécies, mas também a criação de políticas públicas para defendê-los.

Stropharia venusta é encontrada crescendo sobre madeira morta e no solo em áreas de floresta de Araucária na região sul do Brasil | Foto: Silva P.S./ UFSC/ Divulgação

Uma grande conquista seria o reconhecimento, por parte do Ministério do Meio Ambiente, dessas espécies de fungos já avaliadas e publicadas pela IUCN, enfatizam os pesquisadores.

“Existem muitas necessidades para que os fungos sejam verdadeiramente reconhecidos em uma agenda de conservação nacional, para isso os fungos precisam ser reconhecidos em uma política pública que envolve toda a sociedade, instituições e o próprio governo, através do Ministério do Meio Ambiente, para que os fungos sejam incorporados nos aspectos legais da conservação brasileira”, reforçam Drechsler-Santos e Costa-Rezende.

Com informações da UFSC

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Fotos: UFSC


Redação Hypeness
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