Arte

Carlinhos Brown, Agnes Nunes, Festival Refestália e outras 21 boas dicas da cultura e gastronomia

Gabriela Rassy - 16/02/2022 às 09:51 | Atualizada em 18/02/2022 às 18:32

A música e a gastronomia são as estrelas desta semana. Nos shows, uma agenda deliciosa que passa por Agnes Nunes e Tuyo, até chegar no Festival Refestália, celebração do Sesc SP ao centenário da Semana de 22. A programação traz shows de Tom Zé, Ava Rocha, Rincon Sapiência, além do espetáculo Gota D’Água {Preta}.

Nos lançamentos, o grupo carioca Bala Desejo ataca com o labo b de seu primeiro álbum “Sim, sim sim”; Carlinhos Brown também soltou trabalho novo, “SIM.ZÁS”, e a banda sergipana Mestre Madruguinha faz sua estreia com um discão que vai do carimbó ao piseiro, passando pelo bolero e pela salsa.

Para saborear, dicas de alguns bons bares e restaurantes, desta vez da cidade de São Paulo. O Paribar traz novidades deliciosas para o cardápio e oferece, somente nesta semana, um cafoço (café da manhã com almoço) inspirado no movimento antropofágico da Semana de 22. Já o Boato abre no Itaim com coquetéis perfeitos criados pela premiada bartender Bianca Lima.

Vem na minha!

#shows

Tuyo
Cine Joia
Quinta, 17 de fevereiro, 20h (abertura)
R$ 30 a R$ 100
Há quase dois anos afastados dos palcos, a Tuyo se empenhou na preparação e produção das novas músicas. O resultado disso é que Lio, Lay e Machado conseguiram retratar o processo de adultecimento ao longo das faixas do disco “Chegamos Sozinhos em Casa”, que se dividiu entre volumes e ainda se desdobrou em uma série documental intitulada “Fragmentos”. Agora, após indicações ao Grammy Latino e ao Prêmio Multishow, o novo trabalho ganha datas para a temporada de shows, desta vez com participação do baiano Giovani Cidreira para o show de abertura. Grande noite!

Agnes Nunes **errata: o show acontece em 18/03 e não 18/02.
Blue Note SP
Sexta, 18, 21h
R$ 90 (inteira)
Marcando um novo momento de carreira para Agnes Nunes, o álbum “Menina Mulher” mostra a transição da jovem cantora, no seu amadurecimento de menina para mulher. Autora de inúmeros sucessos e de uma voz marcante, Agnes conta que o álbum foi pensado com amor e planeado ao longo de muito tempo para trazer a essência desta nova etapa de sua vida.

Festival Refestália
9 Unidades SESC SP
Quinta, 17, a domingo, 20 de fevereiro
R$ 20 a R$ 40
O Festival é uma das atrações do Diversos 22 – Projetos, Memórias, Conexões, que se estende ao longo de 2022 e propõe uma análise crítica do Centenário de Arte Moderna (1922) e do Bicentenário da Independência do Brasil (1822). Durante os quatro dias de Resfestália, haverá música, teatro, dança, circo, intervenções e muito mais, entre eles, show de Tom Zé, um encontro entre RAPadura XC e Rincon Sapiência, a apresentação de GOTA D’ÁGUA {PRETA} e a exibição do documentário Tropicália. Destaque anda para o show de Ava Rocha, no Sesc Belenzinho, dia 17, lançando a faixa que alude ao espírito que até algum tempo atrás dominava o Carnaval: letras irônicas, contestação social, carregadas de brincadeiras, deboche e erotismo, que retratam uma época.

Jota.pê
Teatro Ipanema
Quinta, 17/02, 19h30
R$ 40 a R$ 60 (meia solidária com 1 kg de alimento)
Cantor e compositor paulistano faz apresentação com destaques da sua discografia, onde as raízes e a modernidade da música brasileira se encontram. “O repertório é 90% autoral, com alguns sons meus que viralizaram, como ‘Preta Rainha’ e ‘Uns Cafuné a Domicílio’, mas preparamos algumas surpresas também com alguns covers”, adianta.

LAZÚLI e Baby
Galpão Ladeira das Artes
Sexta, 18 de fevereiro, 20h
R$ 40
A música como cura é aquilo que guia LAZÚLI na concepção da sua carreira-solo, na qual aborda temas como espiritualidade, gênero e sexualidade. Entre produções eletrônicas, soundesign, funk carioca e norte-americano, LAZÚLI – também vocalista da banda Francisco, el Hombre – apresenta as suas diferentes facetas. O repertório traz “Duas Águas”, “Sonho Ritual” e a sua faixa mais recente, “Outono”. Na mesma noite, o companheiro de banda Mateo Piracés-Ugarte e a cantora paraense Luê se apresentam com o projeto BABY.

Sergio Guizé
Teatro Prudential
18 de fevereiro, às 20h
R$ 120 (inteira)
O artista estreia a turnê “À deriva” no Rio de Janeiro, acompanhado dos músicos Jorge Bittar (Surf Sessions), Renato Azambuja (Surf Sessions), Junior Fernandes (Surf Sessions), André Gieswein (Tio Che) e Paulo Verissimo (Distintos Filhos). Guizé apresenta canções do seu primeiro álbum solo e outros grandes sucessos.

Gabi Blanco | Match
entro Cultural da Juventude
Sábado, 19 de fevereiro, às 16h
Entrada Gratuita
Guiado por um repertório completamente autoral, o projeto une música, bate papo e intervenções de spoken word para abordar questões da atualidade. Na linha de frente, a poeta, cantora e compositora Gabi Blanco vem com uma pegada romântica, leve e divertida. Nas participações especiais, o bonde que a acompanha é formado por mc’s de batalha e slamer’s convidades. Entre os nomes envolvidos, Luiza Lustosa, Matheus Delgado e Michelle Souza.

Leo Bianchini
Bona Casa de Música
Segunda, 21, às 21h
R$ 50
Leo Bianchini é um músico-cantautor brasileiro que desenvolve seu trabalho autoral há cerca de quinze anos, em carreira solo, junto à banda 5 a Seco e ao projeto de música e migração Músico Cidadão. Agora Leo tem se dedicado à composição do repertório de canções para o seu 8º álbum de carreira. Essas canções inéditas já começam a despontar nesse espetáculo, num formato intimista de voz e violão, cheio de novidades, onde Leo Bianchini buscará aproximar o público da beleza “nua e crua” das canções, e das histórias que as fizeram nascer.

#música

Bala Desejo | Sim Sim Sim Lado B
Mais novo vício sonoro dos meus dias, Sim Sim Sim, álbum de estreia do Bala Desejo, grupo formado pelos músicos cariocas Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Lucas Nunes e Zé Ibarra, foi pensado em duas partes que se complementam. Depois do lado A, com a maravilhosa Baile de Máscaras, o quarteto libera, na quarta, dia 16 de fevereiro, a sua segunda metade. O lado B chega aos aplicativos de streaming pelo selo Coala Records. “A gente quis retomar um pouco a coisa toda do vinil, do produto que se consome inteiro, tem toda uma aura setentista que nos agrada; tentamos perfumar tudo com ela”, afirma Zé Ibarra. “Tem uma coisa de o lado A ser mais pra fora, enquanto o lado B é mais pra dentro, o que faz do disco inteiro um corpo só, que se completa na sua totalidade, não é uma, nem duas músicas que contam a história, é o disco todo”, ele define.

Ouça aqui!

Carlinhos Brown | SIM.ZÁS
Um novo álbum, com releituras inéditas e novas parcerias, é o presente carnavalesco de Carlinhos Brown para os fãs, neste segundo fevereiro sem Carnaval. O novo trabalho reúne seis canções autorais revisitadas, trazendo releituras de parcerias com outros grandes nomes da MPB, e será lançado no dia 18 de fevereiro, pela Candyall Music, Selo e Editora do artista. Carlinhos Brown faz um convite para o festejar em casa, trazendo a “rememorização de um Carnaval que, mesmo pedindo silêncio nas ruas, existe em nós, e só se renova com enorme frescor”. O repertório traz as canções “Tema de Amor”, em parceria com Marisa Monte; “Ponto de Atravessar”, composta com Michael Sullivan; “Rua É”, em parceria com Pierre Onassis; “Paixão de Rua”, com Junior Meirelles; “Deus é Percussão”, autoral; e “Amantes Cinzas”, com Arnaldo Antunes.

Ouça aqui!

Luísa Sonza e Ludmilla | Café da Manhã
Com apenas sete meses da estreia do bem-sucedido álbum “DOCE 22”, que se consagrou com um dos principais lançamentos de Luísa Sonza, a artista divulga desta vez a última música do álbum. O feat Ludmilla fecha este ciclo de um álbum que contou e mostrou muito do que Luísa vivenciou no último ano e todo aprendizado adquirido durante o período. Batidão sensual e feito para a pista, o single chega já com clipão poderoso.

Mestre Madruguinha | Pra onde a gente vai agora?
“Pra onde a gente vai agora?”, um clichê na boca do jovem aracajuano para indagar e instigar sobre a dinâmica da noitada na capital do Sergipe, é o primeiro álbum completo da Mestre Madruguinha após diversos singles e um EP — de 2016 — que alavancou o nome da banda inclusive para fora do estado. O álbum é plural, tanto devido à mescla de ritmos da música brasileira e latinos, quanto nas mensagens das letras. São 12 faixas, quase todas “pré-pandêmicas”, mas que não deixam de ser atravessadas por um sentimento: fazer arte em meio a calamidades é, por definição, um ato de resistência.

Apuke | Aleatório
Depois de divulgar o trap “Ca$Ada Com Ela”, Apuke entrega seu primeiro EP, ‘Aleatório’. Com 4 faixas inéditas e autorais, o projeto foi composto de maneira muito pessoal, trazendo como base as próprias vivências lésbicas da artista, além de destacar reflexões urgentes sobre a importância da mulher na indústria musical, sobretudo como produtora, intérprete e compositora.

#cinema

A Felicidade das Pequenas Coisas
Indicado ao Oscar 2022 de Melhor Filme Internacional, representando o Butão, é a grande e grata surpresa da temporada. A linda história acompanha um professor de 20 e poucos anos, que sonha em se mudar para a Austrália e ser um cantor famoso. Porém, em seu último ano de contrato com o governo, é mandado para Lunana, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde deverá assumir uma escola infantil. Apesar de contrário, ele é obrigado a assumir o cargo, e descobrirá naquele lugar a felicidade das pequenas coisas. Em cartaz no Belas Artes e outros cinemas pelo Brasil.

Rio de Vozes
Dirigido por Andrea Santana e Jean-Pierre Duret, o documentário acompanha famílias de pescadores que vivem em diferentes cidades à margem do Rio São Francisco, entre a Bahia e Pernambuco. Observando homens acostumados à construção de barcos, mulheres empresárias gerenciando uma rede de trabalhadores, vendedores de peixes e jovens seguindo os passos dos pais, o filme mostra a importância do grande Rio São Francisco que banha as terras semiáridas do Sertão brasileiro e como a vida dos habitantes da vasta região abarcada por este grande rio está ameaçada.

#visuais

Mostra PLAY! “fase bônus”
Vale do Anhangabaú
15/02 a 01/03
Grátis
A mostra de game arte PLAY! fez tanto sucesso em janeiro que ganhou mais 15 dias de permanência no Vale do Anhangabaú. Para tal, a curadora Marília Pasculli providenciou cinco novas obras de arte digital. São duas interativas e três visuais, para seguir ocupando o espaço urbano com conectividade entre pessoas, o mundo real e o metaverso.

22 Periférico
Fábrica de Cultura Brasilândia
Até 27 de fevereiro
De terça a domingo – das 9h às 20h

Grátis
A mostra reúne releituras de obras dos principais artistas do movimento Modernista produzidas por cinco artistas periféricos, ex-aprendizes da Fábricas de Cultura Brasilândia, que atualizam os debates da Semana de Arte Moderna para os conflitos observados atualmente nas margens da cidade. A exposição inclui ainda a exibição do curta-metragem “Novamente 22”, do coletivo Zéfiro Norte. O curta busca construir uma linha do tempo com performances no Teatro Municipal de São Paulo (onde ocorreu a Semana de 22) e na Cinemateca Brasileira, trazendo a linguagem cênica inspirada nas grandes obras de Anita Malfatti.

#literatura

Pagu no metrô, de Adriana Armony
Escrevendo na fronteira entre ficção, relato pessoal e pesquisa histórica, Adriana Armony escreve um romance delicioso e genuinamente contemporâneo, para contar a história de Pagu (Patrícia Galvão), mais especialmente, sua pouco conhecida temporada na França, entre 1934 e 1935. À potência ficcional, se mescla a descoberta real de documentos e fotografias inéditas que ressignificam o exílio de Pagu em Paris, remontando o quebra-cabeças de suas faces de mulher-intelectual-ativista sempre cercadas de mitos e distorções.

#cênicas

Teatro Eva Herz na Semana de Arte Moderna
15 e 20 de fevereiro
De grátis a R$ 80
Celebrando sua reabertura depois de 2 anos fechado e o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, o Teatro Eva Herz apresenta programação belíssima de shows, peças e papos. O espaço dentro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, abre a programação com o premiado espetáculo “A Alma Imoral”, com a atriz e dramaturga Clarice Niskier; e encerra com “O ovo de ouro”, sobre a vida de Dasco Nagy, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Após a peça, acontece uma homenagem a Sérgio Mamberti (1939-2021), que vivia o personagem, além de ser conhecido por ter dado vida ao Dr. Abobrinha, do Castelo Ra-Tim-Bum. Destaque ainda para a leitura dramática do texto de Luh Maza, “No Meio do Caminho”, numa discussão sobre o espaço da mulher na sociedade e como seus corpos e mentes são afetados.

7PISOS
Galpão do Folias – metrô Santa Cecília/SP
De 18/02 até 04/04
Sexta à segunda, 20h
R$ 30 (Inteira), R$ 15 (Meia), R$ 10 (Sócio Morador)
Peça livremente inspirada no conto de Dino Buzatti, com dramaturgia de Paloma Franca Amorim e direção de Dagoberto Feliz, caracteriza-se como um retorno político ao fazer teatral presencial após longa temporada pandêmica, ainda não encerrada, que foi capaz de pôr em xeque um dos princípios básicos das artes cênicas: o tradicional encontro entre público e intérpretes, espectadores e ficção. 7PISOS desvela o percurso de Giuseppe Corte, um escritor negro que acabou de se internar voluntariamente em um hospital cujo estranho protocolo de tratamento diz respeito ao funcionamento de sete andares que separam os pacientes mais graves dos mais saudáveis.

#gastronomia

Boato
Novidade recém aberta na Pedroso de Alvarenga, o Boato inaugura com uma carta de drinks de babar, todos criados pela premiada bartender Bianca Lima. No formato bar-restaurante, o lugar é perfeito para quem ama fazer harmonizações e provar novos sabores. Destaque para o Trufa Martini, coquetel que leva Gin Plymouth, vermute seco trufado, Luxardo Maraschino, licor de apricot, azeite trufado e alcaparrone. Começamos com o mini hambúrguer de vieira e com o lobster roll, ambos deliciosos, e seguimos com o polvo e a barriguinha de atum com chimichurri. Para fechar bem docinha, o Pain Perdu, um passeio numa floresta cítrica. Maravilhoso! Outro drink que ganhou meu coração foi o Passionis Mule, com whisky Woodford Reserve, maracujá, gengibre, limão e raspas aromáticas de cumaru no topinho. Genial!

Paribar
Há 100 anos, começava a Semana de Arte moderna, marco histórico da cidade de São Paulo que o Paribar fez parte ativamente. Nos idos de Aberto 1949, quando abriu na praça Dom José Gaspar e atrás da Biblioteca Mário de Andrade, o bar era frequentado por Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Sérgio Milliet. Para celebrar, a casa oferece um “cafoço antropofágico”, uma união de café da manhã com almoço: patê de pão francês defumado com mel fermentado e castanha do Pará, linguiça de porco, favas, cogumelos orelha de pau, bacon da casa, ovos fritos e barbecue de pitanga. Tudo no melhor estilo “brazilian breackfest”. Para deglutir e inspirar!

Bia Hoi
Já namorava Bia Hoi de longe fazia um tempo. Depois de eventos na Matilha Cultural, passava em frente ao boteco vietnamita e morria de vontade de provar. Especialista em comidas do norte do Vietnã, a casa oferece uma degustação dos clássicos de rua, bebidas e petiscos do país asiático. Como amo uma botecagem pesada, fui direto nas entradinhas. Estava com desejo de Goi Cuon – aqueles rolinhos fresquíssimos de vegetais e camarão envoltos em folha de arroz transparente – e lá tem vários sabores interessantes. Fui no de camarão, que sou apaixonada e valeu cada mordida. O destaque ficou com o Chao Tom, bolinhos também de camarão (sim, eu amo mesmo!) crocantes por fora e macios por dentro, acompanhados de molho picante e doce. De babar! Para não ir embora sem um bao, pedi o Viet Cajun, uma criação de imigrantes vietnamitas nos EUA que leva bolinho frito de siri, saladinha e molho picante. Saí de lá rolando e feliz. Voltarei para provar os pratos!

Basilicata Trattoria Happy Hour
Restaurante de alma italiana focado em pratos preparados no calor da brasa, casa comandada pelo chef Rafael Lorenti estreia sua happy hour, que acontece às quartas, quintas e sextas-feiras, das 17h às 19h, nas mesinhas dispostas na calçada. A boa é provar os novos coquetéis, como o Gioia Del Bosco, preparado com gin, tônica, compota de frutas vermelhas e limão siciliano; e o Caju e Cana, uma mistura de gin, caju, melaço de cana e agua com gás. Os coquetéis da carta fixa da casa também são servidos no período e acompanham como cortesia uma Pinsa Romana, massa leve de fermentação natural de 72 horas, crocante por fora e macia por dentro, preparada com farinha de trigo, arroz e soja. Elas podem ser pedidas em quatro sabores, entre eles o Funghi, feito com cogumelos grelhados, queijo de cabra, amêndoas e queijo tulha na saída.

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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