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Chá emagrecedor: médicos alertam sobre riscos após morte de mulher que precisou de transplante de fígado

Redação Hypeness - 09/02/2022 às 10:22

A morte da enfermeira Edmara Abreu causou comoção nas redes sociais. Ela morreu após ser diagnosticada com hepatite fulminante em decorrência do uso de um chá que se dizia “emagrecedor”. A ação das substâncias presentes na bebida foi devastadora e obrigou Edmara a passar por um transplante de fígado. Seu organismo, no entanto, rejeitou o novo órgão e ela veio a falecer.

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Edmara, à esquerda, em foto com uma amiga.

A hepatologista Raquel Scherer de Fraga, membro titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia e pós-doutora pela Universidade de São Paulo (USP), chama a atenção para esse tipo de compostos, como o chá que vitimou Edmara. Ela explica que esse tipo de substância não passa por regulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) porque é vista como suplemento alimentar e não medicamento. Por conta disso, não vêm acompanhados de bulas que indiquem os possíveis efeitos colaterais de seu uso indevido.

Dessa forma, as pessoas acabam atirando no escuro porque há riscos de efeitos colaterais graves que não são indicados. Foi o que aconteceu nesse caso em que o chá continha mais de 50 ervas“, disse, em entrevista a Hypeness.

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Entre as ervas presentes na bebida ingerida por Edmara estavam o chá verde, carqueja e mata verde.

A hepatologista alerta que nem todas as pessoas reagem de uma mesma forma ao uso de determinados compostos. A predisposição genética pode ser um dos fatores que levam um determinado organismo a fazer o que a medicina chama de “toxicidade hepática”, quando o fígado sofre lesões causadas por substâncias químicas, como medicamentos.

Esse tipo de caso acontece corriqueiramente. É um dos quadros que mais vemos em nossas enfermarias de Hepatologia: o paciente faz uso de chás ou fitoterápicos com ação milagrosa não só para emagrecer, mas também para curar quadros de má digestão, depressão e outras doenças. É um falso conceito de que não vai fazer mal porque é natural“, alerta a médica.

Para Raquel, esse tipo de chá precisa passar pelas agências regulatórias como medicamentos e não suplementos alimentares. Essa seria uma forma de alertar as pessoas e evitar que mais vidas sejam perdidas.

A embalagem do chá que vitimou Edmara: mais de 50 compostos, alguns altamente tóxicos para o fígado.

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Essas substâncias têm que ser apresentadas com bula que descrevam os efeitos colaterais e os riscos dessa medicação. As pessoas se autoprescrevem essas ervas ou aceitam a indicação de um amigo sem fazer o devido acompanhamento médico“, lamenta.

Em suas redes sociais, a médica cirurgiã do aparelho digestivo Liliana Ducatti Lopes também alertou para o uso de chás como o que Edmara tomou. Ela observou que o rótulo desse tipo de medicação traz o nome de diversas ervas conhecidas por serem tóxicas ao fígado.

Nós recomendamos não fazer o uso desse tipo de medicação: chá que desincha, chá detox, natural, erva… Não faça uso, desaconselhe as pessoas que você conhece. Isso tudo é charlatanismo e são descritos como hepatotóxicos, fazem mal para o fígado sim e podem levar à necessidade de um transplante de fígado“, alerta.

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Fotos: Arquivo pessoal


Redação Hypeness
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