Arte

Cidade de Deus completa 20 anos e continua sendo um filme necessário

Gabriela Rassy - 18/02/2022 às 10:44

A história do aspirante a fotojornalista Buscapé e sua vivência na Cidade de Deus já nasceu para ser um clássico. Marco do cinema nacional e até hoje referência de técnicas de roteiro e produção audiovisual, o filme abriu caminhos para um novo gênero e trouxe para a sétima arte a discussão de temas necessários como a desigualdade social e o feminicídio.

Cidade de Deus segue atual e, a cada vez que assistimos, podemos tirar novos aprendizados – tanto sobre o cinema e a forma de contar uma história, quanto na dura realidade de muitos lugares do Brasil.

Cidade de Deus completa 20 anos e continua sendo um filme necessário

Cidade de Deus completa 20 anos e continua sendo um filme necessário

Dá para dizer que o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund revolucionou o cinema brasileiro. E não é para menos. Inaugurando o estilo “Favela Movie”, Cidade de Deus mudou a forma como o audiovisual até então ilustrava a realidade nas comunidades. O filme se desdobrou mais tarde na série Cidade dos Homens, onde Douglas Silva, que interpretava Dadinho na infância, ganhou o papel de Acerola.

Para comemorar seus 20 anos, nos unimos ao Telecine para elencar alguns motivos para ver e rever essa produção referência do nosso cinema:

A fuga da galinha
O filme começa com uma cena inesquecível. Dia de sol, churrasco e samba rolando na laje. A cena começa a se alternar entre uma faca sendo afiada e uma galinha amarrada pelo pé que já prevê seu destino nas partes de outra ave já indo para o fogo. Ela se solta e é perseguida por um grupo de homens armados. Até que Buscapé recebe a ordem de agarrá-la. Atrás dele, o camburão da polícia estaciona, o deixando no meio do fogo cruzado. Se isso não é uma aula de roteiro e de fotografia, eu não sei o que é!

Escola de atores negros
A maior parte do elenco veio da oficina para atores “Nós do Morro”, por onde passaram Matheus Nachtergaele e Seu Jorge. Foram mais de 60 atores principais, 150 secundários e 2.600 figurantes, sendo a maior parte crianças e adolescentes. “‘Cidade de Deus’ foi um filme que formou pelo menos uns 200 atores negros. A grande dificuldade depois deste processo foi encontrar filme para todo mundo. Talvez as pessoas não imaginassem o potencial que aquela criançada tinha”, disse Seu Jorge na série comandada por Babu, que viveu Grandão na trama.

A comunidade e o mundo do crime
As cenas das crianças pegando em armas e participando de ações criminosas são intensas e chocantes. Uma das cenas, na qual Zé Pequeno pergunta se um menino pequeno prefere receber um tiro de punição no pé ou na mão chegou a ser censurada em alguns países. Ali, o filme fala muito sobre como a criminalidade era uma oportunidade de ascensão social, status e poder dentro da favela. Tristemente, uma situação que ocorre até hoje.

Violência contra a mulher
A forma como a mulher é tratada como posse de homens aparece em diversas relações do filme. Se por um lado a namorada de Mané Galinha, personagem de Seu Jorge, é violentada por uma rixa com Zé Pequeno, por outro a esposa do Paraíba acaba enterrada viva para pagar pela traição ao marido. Expor essa realidade cruel foi um grande marco também do longa.

A técnica
Cidade de Deus foi o primeiro longa a passar por um processo de pós-produção, algo que só acontecia com filmes publicitários na época.

Os prêmios
O longa teve 4 indicações ao Oscar de 2004: Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia. Acabou levando para casa 5 estatuetas do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o BAFTA Awards de melhor edição e Writers Guild of America pelo roteiro.

É um filme que vale ver e rever, cada vez atentando para um novo detalhe. Um marco do cinema nacional que merece estar no repertório cinematográfico de cada brasileire. Assista no Telecine e aproveite outros grandes clássicos do nosso cinema na Cinelist de filmes brasileiros imperdíveis, como Central do Brasil, Tropa de Elite e Bacurau.

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Fotos: Reprodução/Cidade de Deus


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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