Debate

Como Bolsonaro aparelhou o Ibama e usou menos da metade de verba para fiscalização em 2021

Redação Hypeness - 07/02/2022 às 10:53

Um levantamento do Observatório do Clima revelou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) usou apenas 41% dos recursos disponíveis para a fiscalização de desmatamento e outros crimes ambientais no nosso país.

De acordo com o relatório da organização, o IBAMA tinha R$ 219 milhões para investir na fiscalização, mas gastou R$ 88 milhões (41%). Nas gestões PT e Temer, o órgão costumava gastar no mínimo 86% a 92% dos recursos disponíveis para realizar esses processos. Além disso, o instituto também não utilizou a verba suplementar que obteve no orçamento de 2021 para operações no campo.

-Desmatamento em 2021 ficou a 40 km² de bater recorde para o mês de outubro de série histórica

Ibama de Bolsonaro não está usando seus recursos disponíveis para fiscalizar desmatamento

Vale lembrar que a fiscalização é importantíssima para o Ibama pela capacidade de barrar o desmatamento (e ativamente consegue diminuir os efeitos da devastação nas florestas) e, além disso, por gerar receita para o instituto, que consegue se financiar através das multas ambientais.

“Havia dinheiro para reforçar o combate ao desmatamento em 2021, mas o Ibama usou menos da metade do orçamento até dezembro. No caso da prevenção e controle de incêndios florestais foram liquidados até 31 de dezembro R$ 40,3 milhões, ou 70% dos recursos. No ICMBio, a liquidação foi de 73% (R$ 63,7 milhões) do orçamento autorizado para fiscalização e controle de incêndios”, aponta o relatório.

Não é coincidência: Governo Bolsonaro bate próprio recorde e floresta tem maior desmatamento em 10 anos

Bolsonaro aparelhou Ibama

A gestão Bolsonaro é um completo desastre para o meio ambiente. E com o Ibama não foi diferente. Fiscais do instituto foram desincentivados e ameaçados de perseguição caso realizassem o seu trabalho.

Foi também sob a égide de Eduardo Bim – atual presidente do órgão – que o Ibama autorizou o comércio de madeira ilegal oriunda do desmatamento para os EUA.

O presidente, que tem uma retórica anti-ambientalista, travou o Ibama e o ICMBio, tornando os principais órgão que cuidam da biodiversidade brasileira não-operantes e abrindo a porteira para a grilagem e para o desmatamento.

Presidente aparelhou órgãos para expandir desmatamento e reduzir fiscalização

“O Ibama tem uma participação grande historicamente no combate ao desmatamento na Amazônia Legal. Sempre foi uma área prioritária de atuação. O Ibama atua na fiscalização do país inteiro, e não só desmatamento, também de outros ilícitos. Em muitos anos, ele é o principal órgão. Quando o Ibama não está atuando bem, o desmatamento sobe”, explica a Suely Araujo, especialista-sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima e presidente do Ibama entre 2016 e 2018.

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Fotos: Foto 1: Wikimedia Commons Foto 2: Isac Santos/Pr


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