Ciência

Congo briga com Bélgica por osso de 25 mil anos descoberto em território africano

Redação Hypeness - 24/02/2022 às 15:42

Em entrevista recente, Olivier Mushiete Nkole, o chefe do Instituto Congolês pela Conservação da Natureza, afirmou que deseja enviar um ofício para o Reino da Bélgica para reaver o Osso de Ishango, uma das peças arqueológicas mais importantes de todo o planeta.

O Osso de Ishango foi descoberto por cientistas belgas durante o período da colonização, nos anos 1950. O anúncio foi feito em uma coletiva que antecipava a visita de uma delegação belga à República Democrática do Congo.

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Osso de Ishango pode ser devolvido para o Congo após pedido formal do governo

A descoberta do Osso de Ishango colocou em xeque a questão da invenção da matemática. A ciência, que anteriormente tinha sua invenção atribuída aos povos da Mesopotâmia ou aos Egípcios, na verdade, tem suas raízes na África Subsaariana.

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O Osso de Ishango tem 25 mil anos de idade e, segundo teóricos, ele era utilizado para fazer marcações astrológicas e matemáticas. Ao longo do artefato de 10 centímetros existem 168 marcações agrupadas em diferentes sequências para fins científicos.

O Instituto Belga de Ciências Naturais define que o artefato é “a calculadora mais velha do planeta” e uma “grande estrela da constelação da arqueologia de África.

De acordo com Mushiete Nkole, a organização planejar fazer um pedido formal para que o Osso de Ishango seja devolvido à República Democrática do Congo. Esse é o mais recente de uma série de anúncios entre instituições congolesas e belgas sobre o retorno de objetos arqueológicos e peças artísticas roubadas pelo país europeu durante o processo de colonização do atual Congo.

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Recentemente, a Bélgica anunciou que iria devolver milhares de objetos oriundos do país africano que foram usurpados durante o período colonizatório. Os europeus planejam enviar ao Congo a maioria dos objetos roubados entre 1885 e 1908, onde o país africano foi transformado em propriedade privada do Rei Leopoldo II. Durante esse período, mais de 10 milhões de nativos foram brutalmente assassinados pelos subordinados do rei belga, em um dos momentos mais sombrios da história da humanidade.

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Fotos: Joeykentin


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