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Copa do Mundo: mexicana é condenada a 100 chicotadas e 7 anos de prisão por denunciar abuso sexual no Catar

Roanna Azevedo - 24/02/2022 às 10:19

Uma mexicana de 27 anos foi condenada a 100 chicotadas e sete anos de prisão no Catar após denunciar um abuso sexual que sofreu. A economista Paola Schietekat trabalhava no Comitê Supremo de Entrega e Legado, instituição encarregada de organizar a infraestrutura da Copa do Mundo de 2022 no país, quando foi agredida por um homem que invadiu seu apartamento enquanto ela dormia. O caso aconteceu na cidade de Doha em 6 de junho de 2021.

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Paola Schietekat trabalhava no Comitê Supremo de Entrega e Legado, encarregado da organização da Copa do Mundo de 2022.

Vítima de violência sexual também na adolescência, Paola decidiu denunciar o ocorrido no dia seguinte. Ela foi à delegacia acompanhada de Luis Ancona, cônsul mexicano no Catar, e munida de um atestado médico e fotos dos machucados que o agressor deixou em seu corpo. Os policiais perguntaram se a jovem preferia esquecer o caso, apenas pedir ordem de restrição ou ir para a última instância. Aconselhada por Ancona, ela escolheu a terceira opção.

Pouco tempo depois de concluir o depoimento, Paola foi avisada de que precisava se dirigir novamente à delegacia. Lá, foi confrontada por seu abusador, que se defendeu dizendo que os dois tinham um envolvimento amoroso. A declaração fez com que ela passasse de vítima para acusada de ter um caso extraconjugal. O agressor foi liberado pelas autoridades, enquanto a mexicana foi condenada a receber 100 chicotadas e sete anos de cadeia.

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Paola foi condenada a 100 chicotadas e 7 anos de prisão enquanto seu agressor recebeu absolvição.

A sharia, lei islâmica em vigor no Catar, prevê que vítimas de violência sexual sejam julgadas por adultério. Paola se converteu ao islamismo quando ainda era adolescente, mas mulheres não-muçulmanas também podem ser punidas. Em 2016, por exemplo, uma turista holandesa foi multada em 845 dólares e sentenciada a um ano de prisão após ser abusada sexualmente no país.

A economista voltou para a Cidade do México com a ajuda do Comitê Supremo de Entrega e Legado no dia 25 de julho de 2021, mesmo com o processo ainda em andamento. Assim que chegou, soube que seu agressor foi absolvido pela justiça devido a falta de câmeras no local do ataque que pudessem comprovar o que realmente ocorreu.

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Agora, Paola deseja não apenas resolver o caso, mas também retornar a Doha.

No último dia 14 de fevereiro, Paola foi informada que deveria comparecer em uma segunda audiência na cidade de Doha. Como seu advogado e os representantes do consulado mexicano não compareceram, ela resolveu denunciar o despreparo da Embaixada de seu país durante todo o processo judicial. “Nenhum dos diplomatas falava nem um pouco de árabe, mas também não tinha o menor conhecimento das leis locais”, declarou a economista.

Dias depois, Paola se reuniu com Marcelo Ebrard, secretário de Relações Exteriores (SRE), para tentar solucionar o caso e negociar seu retorno a Doha. De acordo com o oficial, o consultor jurídico do SRE ficará encarregado de defender os direitos da mexicana perante a justiça do Catar.

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Fotos: Reprodução - Instagram.com/paola7kat


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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