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Dina Di é homenageada pelo Google por sua contribuição para o hip hop feminino e nacional

Vitor Paiva - 25/02/2022 às 14:34

A história do Hip Hop no Brasil, de sua música, sua cultura, mas principalmente da presença feminina no contexto, tem o nome de Viviane Lopes Matie, mais conhecida como Dina Di. A importância da primeira mulher a alcançar sucesso no rap nacional, como líder do grupo Visão de Rua, que ganhou destaque nos anos 90 e ajudou a abrir caminho para a voz feminina dentro do universo do Hip Hop foi reconhecida pelo Google no último dia 19 de fevereiro, através de um “Doodle”, imagens que ilustram a janela de busca do site, em homenagem publicada no dia em que a artista completaria 46 anos.

Dina Di no Google

A homenagem do Google publicada no último dia 19

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Nascida em Campinas em 1976, Dina cresceu em um contexto pobre que fez com que começasse a trabalhar bem cedo, e a se envolver em caminhos que a levaram à casa de detenção juvenil Febem, hoje Fundação Casa. Aos 13 anos, em 1989, ela começou sua carreira, inicialmente como guitarrista mas sempre como cantora e compositora, falando de machismo, violência, racismo e desigualdade com a força e a coragem que fazem com que seja considerada a maior rapper brasileira de todos os tempos.

Dina Di

A rapper é uma das primeiras e mais importantes artistas femininas do gênero no Brasil

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“Dina Di pegou o microfone na adolescência e concentrou sua energia em escrever rimas que capturassem suas lutas e desafiassem o sistema social arraigado”, diz o texto que acompanhou a homenagem feita pelo Google à artista. “Ela visitou prisões para compartilhar sua música com mulheres encarceradas para inspirar uma transformação positiva e dar aos detidos esperança de um futuro melhor (…) usou a música para compartilhar as duras realidades do sistema prisional feminino”, celebra a homenagem, lembrando a importância da vida e obra de Dina Di para as mulheres que viriam nas tantas cenas da cultura no Brasil.

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“Hoje, mulheres MCs no hip-hop brasileiro prosperam e continuam a alimentar o movimento de empoderamento feminino. Sua aclamação se confunde com um movimento social construído por mulheres como Dina Di”. Músicas como “Confidências de uma presidiária”, “Mente engatilhada” e “Irmã de Cela”, entre muitas outras, formam parte do repertório que a coloca como um dos nomes que ajudaram a escrever a história do rap nacional. Dina Di faleceu no dia 19 de março de 2010, aos 34 anos, dias após contrair uma infecção hospitalar durante o parto de sua primeira filha.

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© fotos: Google/Divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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