Viagem

É possível passar uma noite na casa que Gandhi viveu em Joanesburgo

Vitor Paiva - 15/02/2022 às 09:22 | Atualizada em 17/02/2022 às 10:52

Os 21 anos em que Mohandas Karamchand Gandhi viveu na cidade de Joanesburgo foram determinantes para que o jovem e tímido advogado desabrochasse e se tornasse o líder que viria a conduzir a independência da Índia e instigar o movimento de descolonização em todo o mundo: foi durante o período em que viveu na África do Sul, portanto, que Mohandas se transformou em Mahatma Gandhi. Pois quem tem vontade de mergulhar na história e no espírito do herói indiano, e se inspirar em cada passo dado por Gandhi durante o período pode tornar esse desejo o mais literal possível, hospedando-se em uma das casas onde o indiano viveu na cidade sul-africana durante o período.

Gandhi viveu na Casa Satyagraha entre 1908 e 1909

Gandhi viveu na Casa Satyagraha entre 1908 e 1909

-Estes protestos pacíficos lembram que não há apenas uma forma de lutar

Gandhi tinha 23 anos quando, em 1893, se mudou para Joanesburgo, para representar uma firma de advocacia em um contrato profissional que tinha inicialmente um ano de duração. Em um país tão marcado pela discriminação racial instaurada em política oficial e perseguição policial – significadas pelo Apartheid que tornaria o racismo em sistema político –  a consciência social e política do jovem advogado floresceu ali com toda força: após o ano de trabalho, Gandhi decidiu permanecer na África do Sul, para atuar como advogado em defesa dos perseguidos, principalmente pelos direitos da população hindu no país, onde ele viveria até 1914, e realizaria os primeiros atos de desobediência civil, bem como desenvolveria a visão e militância política que viriam a conduzir o resto de sua vida.

Casa Satyagraha

O interior da residência é também um museu do período em que o líder indiano viveu ali

Casa Satyagraha

A casa foi construída em 1907, e, apesar de reformas, a parte antiga permanece igual

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Batizada como Satyagraha (ou “força verdadeira”, em tradução livre) a casa traz o nome em sânscrito do método de protesto pacífico que Gandhi começou a desenvolver ali, e que se tornaria a filosofia principal da luta que viria a conduzir a Índia à independência dos domínios e explorações britânicas. Construída em 1907 por um arquiteto alemão chamado Hermann Kallenbach e localizada no bairro residencial de Orchards, em Joanesburgo, a Casa Satyagraha recebeu Gandhi de 1908 até 1909, e seu interior hoje é preparado não somente para receber hóspedes, como também para funcionar como um pequeno museu do período em que o indiano viveu, estudou e militou por ali: Gandhi tinha seu próprio espaço, mas dividia a cozinha e a sala de estar da residência com Kallenbach.

Gandhi, sua secretária Sonia Schlesin, e Hermann Kallenbach no local

Gandhi, sua secretária Sonia Schlesin, e Hermann Kallenbach no local

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Segundo conta a história, a conscientização de Gandhi começou no país de forma extrema, após o advogado ser preso por viajar em um vagão de trem exclusivo para a população branca, em junho de 1893. A construção possui sete cômodos espalhados pela construção original – chamada Kraal em referência à arquitetura que se assemelha a uma fazenda tradicional do país –, a cabana construída alguns anos mais tarde, e ainda uma asa moderna, adicionada ao local em 2010: o espaço foi aberto para visitação em 2011. Os preços da hospedagem variam entre cerca de R$ 1 mil até cerca de R$ 3,4 mil, e as maiores informações sobre a Casa Satyagraha podem ser acessadas aqui.

Casa Satyagrah

A paisagem ao redor da Casa Satyagrah fazem do local ainda mais especial para os visitantes

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© fotos 1, 2, 3, 5: Casa Satyagraha/divulgação

© foto 4: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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