Inspiração

Ela nasceu sem canal vaginal e agora dedica vida para ajudar mulheres com mesma condição

Redação Hypeness - 10/02/2022 às 10:09 | Atualizada em 11/02/2022 às 16:11

Foi apenas durante sua primeira experiência sexual que a médica Claudia Melotti descobriu que havia nascido sem o canal vaginal. Aos 20 anos, ela foi diagnosticada com a síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH), também chamada apenas de Síndrome de Rokitansky, doença congênita que afeta o sistema reprodutivo — às vezes até o urinário — e atinge uma em cada cinco mil mulheres no mundo.

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Em 1984, os exames não eram tão bem definidos, o ultrassom não era tão claro e os médicos não perceberam que eu não tinha canal vaginal. Aos 19 anos, não conseguia ter uma penetração completa, doía demais e percebi que havia alguma coisa errada. Foi quando recebi o diagnóstico”, contou a médica de 51 anos, em entrevista ao “Metrópoles”.

Para chamar apoiar outras meninas e mulheres que vivem a mesma situação, ela fundou o instituto Roki, ao lado da jovem Isabella Barros e de Luciana Leite.

A gente percebeu a importância de divulgar informação, de formar uma rede de profissionais da área da saúde que conhecessem a síndrome para atender meninas de todo o Brasil pelas plataformas digitais”, diz.

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A Síndrome de Rokitansky não possui uma causa conhecida. Ela acomete as mulheres ainda durante a formação do feto embrionário. Segundo o Instituto Roki, os órgãos genitais começam a crescser mas não se desenvolvem por completo. Especialmente quando se fala do útero e do canal vaginal: enquanto o primeiro pode ser muito pequeno ou inexistente, o segundo é muito mais curto do que o de costume, possuindo cerca de um ou dois centímetros (o normal é que esses valores sejam de 7 a 10 centímetros).

A médica Claudia Melotti.

Como a Síndrome não manifesta sintomas claros, a maioria das mulheres acaba descobrindo sobre ela quando identifica a ausência de menstruação na adolescência ou ao iniciar a vida sexual. Claudia explica que a falta de informação pode causar sofrimento psicológico em muitas meninas.

No meu caso, tive uma família maravilhosa, médicos muito bons e um namorado que foi muito especial e importante”, observa.

Apesar das preocupações, há formas seguras de tratar a condição. Além de cirurgias para reconstruir o canal vaginal, é possível usar dilatadores plásticos por cerca de 20 minutos por dia durante um certo período de tempo. O procedimento pode ajudar que mulheres com a síndrome tenham uma vida sexual ativa e sem dores.

O sucesso do tratamento e a conquista de uma vida saudável, podem ser alcançados, principalmente com o auxílio de médicos preparados nas diversas especialidades, além de profissionais da área da saúde e práticas da medicina integrativa“, diz Claudia.

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Fotos: Getty Images e Thiago Patrial


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