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Futebol dos EUA faz história ao igualar pagamento entre homens e mulheres

Redação Hypeness - 23/02/2022 às 17:04 | Atualizada em 23/02/2022 às 17:28

A Associação de Futebol dos EUA confirmou que, a partir de agora, irá pagar de forma igual os homens e as mulheres que representarão o país pela seleção em competições internacionais. A decisão histórica já era trazida há anos por figuras do esporte, que queriam o fim da diferença na remuneração entre os dois sexos.

A entidade fez um acordo em que se compromete a realizar transações financeiras igualitárias a partir de agora. Além disso, foi informado o pagamento de US$ 24 milhões (cerca de 120 mi de reais) em ressarcimentos para atletas que foram afetadas pela desigualdade nas últimas décadas.

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As tetracampeãs da Copa do Mundo recebiam três vezes menos que os homens, que nunca chegaram a uma final do torneio

O acordo foi selado entre a US Soccer e as jogadoras para dar fim a um processo ajuizado em 2019 e que corria nas cortes da Califórnia.

Decisão histórica

De acordo com as jogadoras, as atletas selecionadas para disputar a Copa do Mundo feminina recebiam 15 mil dólares por participação no torneio, enquanto os homens eram remunerados com cerca de US$ 55 mil.

A denúncia ainda alegava que as premiações para os jogadores do sexo masculino por passar de fase também eram cerca de três vezes maiores do que as recebidas pela seleção feminina, muito mais importante em termos de conquista. As mulheres são pioneiras no futebol nos Estados Unidos e conquistaram a Copa do Mundo quatro vezes contra nenhuma dos homens.

A decisão foi celebrada dentro do mundo do futebol feminino, que luta por mais reconhecimento e investimento. “São movimentos como este que trazem à tona a utopia de certas normas escritas, que são inobservadas na realidade, e a importância dessas ações paralelas para garantir a efetividade das leis. Essas iniciativas contribuem para a qualidade da competição, além de assegurar direitos que são por vezes deixados de lado. Certamente trata-se de um importante marco, e um pequeno passo, de muitos que ainda demandam o futebol feminino”, avalia a advogada Ana Mizutori, especialista em direito desportivo, ao UOL.

“São medidas prementes que, embora haja previsão legal sobre a equidade salarial e vedação de diferenciação por gênero, por exemplo, ainda se verifica na prática o descumprimento de tais regras. Isso acontece em todos os setores, nas mais diversas áreas. Contudo, no futebol, ainda se justifica pela visibilidade e audiência do futebol feminino, afastando a premissa de que quanto mais investimentos e quanto maior o recurso destinado à modalidade, melhor tende a ser a perfomance, e consequentemente, a atratividade daquele esporte perante a mídia”, completa.

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Fotos: © Getty Images


Redação Hypeness
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