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Golpes, fraudes e polêmicas movem o imenso sucesso do doc ‘O Golpista do Tinder’, na Netflix

Vitor Paiva - 14/02/2022 às 15:42 | Atualizada em 14/02/2022 às 15:42

Se os aplicativos de relacionamentos são uma inovadora e eficaz ferramenta de encontro e mesmo de paixões e relacionamentos – especialmente em tempos pandêmicos, de protocolos e distanciamentos – eles também podem ser utilizados para o mal, como meio e instrumento para aplicação de golpes e roubos tão graves quanto perigosos. É nesse contexto que se passa um dos documentários mais polêmicos e comentados da atualidade: “O Golpista do Tinder” traz para o Netflix a história do israelense Shimon Hayut, que se apresentava no app como um herdeiro e empresário do ramo de diamantes, para conquistar a confiança de mulheres, e envolvê-las em fraudes e esquemas que somaram mais de 10 milhões de dólares.

Shimon Hayut

Hayut se apresentava no app como Simon Leviev, filho de um bilionário israelense

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Dirigido por Felicity Morris, o documentário é baseado em reportagem do jornal norueguês Verdens Gang, e anunciado no Netflix como a “vingança” das vítimas de Hayut – que, no aplicativo, se apresentava como Simon Leviev, filho do bilionário Lev Leviev, magnata israelense do ramo de diamantes. Não é por acaso que a história vem sendo disputada para ser tornada em um filme de Hollywood, pois a premissa parece mesmo tirada da mais criativa ficção – partindo de promessas de amor eterno e casamentos luxuosos e passando por falsas perseguições pela máfia e ameaças de morte utilizadas para justificar que o golpista pedisse “ajuda” às mulheres – através de seus cartões de crédito, montando um sistema similar a um esquema de pirâmide para realização de empréstimos e pagamentos.

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O golpista foi denunciado primeiro por uma vítima norueguesa, que desmascarou o estelionatário com 50 páginas de registros, mas o trabalho de jornalistas de todo o mundo chegou a diversas outras vítimas e revelou a identidade de Hayut – que, por sua vez, após ser condenado em diversos países e preso em Israel por alguns meses, encontra-se livre por “bom comportamento”, ostentando uma vida luxuosa, e defendendo a própria inocência, ainda que banido do Tinder. “Se eu fosse uma fraude, por que iria aparecer na Netflix? Quero dizer, eles deveriam ter me prendido quando ainda estavam filmando. É hora de as senhoras começarem a dizer a verdade”, escreveu Hayut em suas redes sociais.

Shimon Hayut

Hayut chegou a ser preso e procurado em diversos países, mas agora está solto

-Ele encontrou seu grande amor e o rim que tanto precisava no Tinder

O sucesso do filme é expressivo: além de ser o mais visto da plataforma em todo o mundo, é o primeiro documentário a assumir essa liderança. Tanto interesse parece se dever às quantidades milionárias envolvidas nos esquemas, ao complexo esquema orquestrado pelo golpista, à aparência das mulheres enganadas – mulheres loiras, elegantes, originárias de países nórdicos – mas também à espantosa ingenuidade que levou essas vítimas a seguirem transferindo grandes quantias e se comprometendo financeiramente de forma abissal. Refletindo sobre os diversos golpes que são aplicados diariamente através da internet, o questionamento sobre como tais esquemas podem dar certo também move o espectador diante da incrível história contada em “O Golpista do Tinder”, disponível no Netflix mais próximo.

Shimon Hayut

Shimon Hayut foi às redes se dizer inocente depois do sucesso do doc

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© fotos 1, 3: Netflix/Reprodução

© foto 2: Tore Kristiansen/VG/Shutterstock

 


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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