Ciência

Luc Montagnier: cientista morto aos 89 anos ajudou a descobrir HIV e flertou com negacionismo

Redação Hypeness - 24/02/2022 às 15:39

No último dia 10, o virologista francês Luc Montagnier faleceu aos 89 anos. O pesquisador foi o líder do grupo responsável pela identificação do vírus da imunodeficiência humana e foi essencial para o desenvolvimento das pesquisas que revolucionaram as perspectivas da ciência sobre a AIDS. Entretanto, nos últimos anos de vida, Montagnier se tornou um pária no mundo da ciência por declarações bizarras.

Pesquisador foi o responsável por ajudar no combate contra o estigma da HIV no início da epidemia

No início dos anos 80, o que hoje conhecemos como AIDS era chamado de “câncer gay”. Com poucas pesquisas científicas sobre o assunto, acreditava-se que a prática homossexual era a causadora de um tipo de tumor na pele. Entretanto, foi a partir de uma pesquisa de Montagnier, em 1983, que se identificou o que ele primeiramente chamou de LAV (vírus associado a linfadenopatia).

A sua pesquisa foi primeiramente rechaçada por outros virologistas, mas, posteriormente, o pesquisador do Instituto Pasteur recebeu os louros da descoberta da doença. Do outro lado do Atlântico, outras pesquisas comandadas por Robert Gallo também reforçavam o que Montagnier havia achado e a própria questão de quem foi o verdadeiro pioneiro se tornou dúbia.

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Posteriormente, no ano de 2008, Montagnier foi laureado com um Prêmio Nobel e ganhou a batalha sobre o legado científico sobre a descoberta do vírus HIV.

Mas foi depois disso que o cientista se envolveu em polêmicas e até fomentou fake news propagadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

O pesquisador francês reforçou as afirmações de um outro cientista francês de que existe algum tipo de memória na água, o que validaria tratamentos homeopáticos, considerados pseudocientíficos.

Luc Montagnier fomentou negacionismo contra a covid-19

Mas foi durante a pandemia da covid-19 que o pesquisador soltou fake news: ele afirmou que o vírus da covid-19 era extremamente parecido com o da AIDS e que as vacinas incentivariam variantes mais perigosas do Sars-Cov-2, algo que não se verificou na realidade.

Foram essas afirmações que fizeram com que o presidente Bolsonaro afirmasse que as vacinas contra a covid-19 poderiam causar a AIDS.

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Fotos: © Getty Images


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