Debate

Marcius Melhem pediu sexo oral a atriz e recebia colegas com as “calças abaixadas”, diz Piauí

Redação Hypeness - 15/02/2022 às 12:15 | Atualizada em 24/03/2022 às 11:31

Novas denúncias contra o ex-diretor do núcleo artístico de humor da Globo, Marcius Melhem,foram divulgadas ao público pela revista Piauí.

O comediante, que havia sido denunciado por assédio moral e sexual por Dani Calabresa e outras mulheres em 2020, agora responde por novas acusações de violência sexual no ambiente de trabalho.

Marcius Melhem é alvo de novas denúncias de assédio sexual

‘Calças abaixadas’

De acordo com relatos de vítimas obtidos pela Piauí através de um processo que corre de forma sigilosa na Justiça, Melhem avançava sobre atrizes, tentava beijá-las à força, dizia a funcionárias que elas “fazem parte das minhas fantasias sexuais” ou frases como “como você está gostosa com essa roupa”.

– Marcius Melhem expõe troca de áudios com Dani Calabresa e pede R$ 200 mil de indenização

Nos autos do processo, também constam acusações de que Melhem abria a porta de seu flat para atrizes e comediantes de toalha, de cueca ou até mesmo com pênis à mostra, as convidando para ter relações. Outra denunciante afirma que Melhem a cobrava para fazer sexo oral porque ele havia a chamado para trabalhar na Globo.

Os casos ocorreram no Barra Beach, no Rio de Janeiro. O lugar é um flat-hotel que abrigava pessoas que iam gravar no Projac (hoje Estúdios Globo) e ficavam no local como estadia temporária. Além disso, existem denúncias envolvendo a Hahahouse, casa da redação de humor da Globo no Jardim Botânico, e o bar Vizinha 123, em Botafogo, onde ocorreu o incidente entre Marcius e Dani Calabresa.

Entenda:Marcius Melhem tirou pênis pra fora durante assédio e perseguiu Dani Calabresa: ‘Quem mandou estar muito gostosa?’

Marcius Melhem teria assediado sexualmente mais de oito mulheres durante seu período na Globo de acordo com denúncia na Piauí

Marcius Melhem fala em ‘brincadeira’

Em um depoimento de cinco horas, Melhem nega as acusações e afirma que as relações eram consensuais. Também disse, por oito vezes, que parte das acusações de assédio – como a de aparecer sem cueca na frente de uma colega – eram formas de brincadeira.

Dez pessoas depuseram contra Melhem: Marcelo Adnet, George Sauma, Eduardo Sterblitch, a atriz Maria Clara Gueiros e o diretor Mauro Farias, além de outras vítimas.

À favor do ex-chefe, depuseram as atrizes Flavia Reis, Patricia Pinho, Renata Castro Barbosa, a diretora Alice Demier e o humorista Welder Rodrigues.

A reportagem que denunciava Melhem na Piauí foi impedida judicialmente de ser publicada pela defesa de Melhem no ano passado. A decisão judicial que protegia o acusado de assédio determinou “a suspensão, pelo tempo que durarem as investigações, da publicação de matéria na revista Piauí ou seu respectivo site”. Após decisão do ministro do STF Gilmar Mendes autorizando a publicação, a reportagem foi divulgada ao público.

Em nota à Folha de São Paulo, a defesa de Melhem criticou a reportagem da Piauí. Leia na íntegra:

“Em mais uma edição completamente parcial, a revista Piauí disse ter tido acesso à investigação que corre em segredo de Justiça, mas publica apenas parte do processo, distorce a realidade e omite fatos e provas da defesa de Marcius Melhem. Aos fatos:

A cena do flat da atriz não aconteceu da forma descrita pela Piauí. A revista omite que a atriz seguiu amiga de Marcius por muitos anos após o episódio, convidando seu suposto abusador para seu casamento e para ir à sua casa conhecer sua filha recém-nascida, para citar dois exemplos. A relação só estremeceu cinco anos depois, quando ela não foi convidada para o programa “Fora de Hora”. A troca de mensagens entre ambos nesse período é a prova de que não houve nada de traumático na relação entre eles, até que ela fosse recrutada.

Quando descreve as brincadeiras que ocorriam no ambiente do humor, algumas em tom sexual, a Piauí não revela o farto material probatório apresentado pela defesa de Marcius Melhem de que as brincadeiras ocorriam dos dois lados. A atriz que o acusa de “exigir um boquete”, por exemplo, foi sua namorada por mais de um ano e ambos trocavam mensagens picantes da intimidade típica de casais. Há farto material comprobatório do namoro, cujo término não foi bem recebido pela atriz conforme dezenas de áudios e mensagens anexados ao processo. Até pouquíssimo tempo antes da denúncia de Dani Calabresa esta atriz ainda estava inconformada de ser apenas amiga. Depois assumiu a frente da vingança.

Nos emails internos da TV Globo, a própria Piauí afirma que como resultado do compliance Melhem não foi demitido, mas sim afastado das suas funções de gestor. Em seguida afirma que foi demitido. Uma narrativa errática e confusa.

A Piauí, que tem acesso a todo o material que está sob sigilo, estranhamente disse não ter acesso a anexos do email do advogado Helcio Alves Coelho, membro do departamento de compliance do Grupo Globo, onde estariam as conclusões do compliance. Tivesse a Globo apurado que houve assédio sexual teria feito homenagens a Melhem em sua saída?

A Piauí chega a citar como testemunha de acusação um ator que em depoimento desmentiu a Piauí do começo ao fim.

Esses são apenas alguns exemplos de mais um festival de absurdos da Piauí, que, no papel de assessoria de comunicação da acusação, vai tentar provar que não está errada desde o início. Não dará certo. Por respeito à Justiça, Melhem não pode expor suas provas nesse momento. Parece que o segredo só vale para Melhem, mas não será para sempre. Quando a Justiça autorizar, a opinião pública irá conhecer toda a verdade, sem versões parciais e distorcidas. E muitos irão se chocar com o que está por trás das acusações na Justiça e dos vazamentos fora dela”.

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Fotos: Reprodução/Globo


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