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Pauline Elizabeth Hopkins: a editora à frente da primeira publicação mensal dedicada à cultura afro-americana

Roanna Azevedo - 23/02/2022 às 10:04 | Atualizada em 26/04/2022 às 09:23

No início dos anos 1900, florescia na cidade de Boston, em Massachusetts, uma das pioneiras da literatura de terror e fantasia do século XX. Pauline Elizabeth Hopkins foi uma autora, romancista, jornalista e dramaturga americana que começou a receber destaque no cenário literário após se tornar editora da The Colored American, a primeira revista dos Estados Unidos voltada à cultura negra.

Nascida em Portland, Maine, em 1959, Hopkins até hoje é considerada uma precursora por explorar temas sociais e raciais em romances. Ela cresceu em um lar que incentivava o esforço acadêmico e o amor pela literatura, fazendo com que desenvolvesse proximidade e apreço pelas palavras desde muito jovem. Durante o ensino médio, participou e venceu um concurso de ensaios com a obra autoral “Evils of Intemperance and Their Remedy”.

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Pauline Elizabeth Hopkins é considerada pioneira por explorar temas sociais e raciais em seus romances.

Nos primeiros anos da vida adulta, Hopkins foi atriz e cantora, além de dramaturga. Em 1877, fez sua primeira performance dramática em “Pauline Western, the Belle of Saratoga”. Atuou em outras peças de teatro, mas logo decidiu investir na carreira literária.

Uma das obras iniciais de Hopkins a ganhar reconhecimento foi a peça musical “Slaves’ Escape; or, The Underground Railroad” de 1880. Vinte anos depois, publicou “Talma Gordon”, a primeira história de mistério escrita por uma pessoa afro-americana, e o livro “Contending Forces: A Romance Illustrative of Negro Life North and South”, que explora as dificuldades enfrentadas pela comunidade negra no contexto da violência racista dos Estados Unidos pós-guerra civil.

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Entre 1901 e 1903, Hopkins publicou “Hagar’s Daughter: A Story of Southern Caste Prejudice”, “Winona: A Tale of Negro Life in the South and Southwest” e “Of One Blood: Or, The Hidden Self” na The Colored American Magazine. Como seus romances vinham ganhando cada vez mais notoriedade, ela foi convidada a se tornar acionista, membro do conselho de diretores e assumir o cargo de editora da revista, permanecendo nele de 1902 a 1904.

Capa de fevereiro de 1901 da The Colored American Magazine.

Enquanto estava à frente da The Colored American Magazine, Hopkins conseguiu aumentar o número de assinaturas e ampliar os fundos monetários da revista. O curto tempo em que ficou no cargo pode ser explicado, de acordo com ela mesma, por uma conspiração entre John C. Freund e Booker T. Washington, investidor e proprietário da publicação, respectivamente.

Em 1996, vinte cartas escritas por Hopkins vieram a público. Elas explicavam como a escritora acreditava ter sido substituída da The Colored American por tratar de questões raciais de forma natural, o que ainda era tabu para muitas pessoas, principalmente as brancas. Segundo seus relatos pessoais, a antiga editora da revista foi vítima de sexismo e racismo, principalmente, por parte de Freund para que abandonasse o cargo ocupado.

Sede da The Colored American Magazine em Park Square, Boston, 1902.

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Após deixar a The Colored American Magazine, Hopkins deu continuidade a carreira literária e ficou conhecida pelo autor Richard Yarborough como “a escritora afro-americana mais produtiva do início do século”. Apesar de temer as consequências por sempre abordar a relação entre raça e a sociedade americana em suas obras, acreditava que fazer o mundo conhecer a realidade dos Estados Unidos de 1900 era necessário.

Pauline Elizabeth Hopkins faleceu em 13 de agosto de 1930 na cidade de Cambridge, Massachusetts.

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Fotos: Reprodução


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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