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Trabalho escravo: mulher é resgatada após 32 anos presa como doméstica na casa de pastor

Redação Hypeness - 01/02/2022 às 14:05 | Atualizada em 01/02/2022 às 14:45

Uma mulher de 48 anos foi resgatada por Auditores Federais do Trabalho após uma denúncia de trabalho análogo à escravidão na casa do pastor Geraldo Braga da Cunha, da Assembleia de Deus, em Mossoró (RN). Ela trabalhava sem permissão de saída ou salário há 32 anos para a família do líder religioso. As informações são da coluna de Leonardo Sakamoto no UOL.

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De acordo com os auditores federais, a denúncia chegou de forma anônima ao perfil do Ministério do Trabalho e Previdência, hospedado na conta @trabalhoescravo, no Instagram.

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A vítima, cujo nome não foi revelado, recebia moradia, comida, roupa e alguns presentes, mas não era paga com salário e sequer tinha conta bancária.

Abuso sexual

A vítima de trabalho escravo foi levada para a casa do pastor com 16 anos de idade. Lá, foi vítima de abuso sexual e trabalho análogo à escravidão durante três décadas.

“Famílias ‘pegam meninas para criar’, gerando uma relação de exploração. É uma prática comum na região, infelizmente”, explica a auditora fiscal do trabalho Gislene Stacholski, que atuou a investigação da denúncia.

A defesa do pastor diz que se trata de uma “pseudo” acusação e que a família sempre tratou a vítima “como uma filha”, de acordo com os auditores.

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“A despeito de uma filha também ajudar nas tarefas domésticas, a vítima prestava um serviço diário, cuidando da casa e ajudando na criação dos filhos do casal”, afirmou a coordenadora da operação.

Segundo as investigações, ela foi forçada a manter relações sexuais com o pastor durante 10 anos. A vítima afirmava sentir nojo do escravizador.

Os salários que a vítima deve receber, mais indenização, somam R$ 288 mil. A família de Geraldo Braga da Cunha não quis pagar ou acordar um valor e agora deve ser vítima de ação civil pública indenizatória.

No Brasil, 1.937 pessoas foram resgatadas de situação de escravidão contemporânea em 2021. E, 27 delas eram trabalhadoras domésticas. De acordo com os auditores, o caso de Madalena Gordiano impulsionou outras denúncias e libertou diversas mulheres dessa condição.

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Fotos: Reprodução/AFT


Redação Hypeness
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