Gastronomia

Vitamina B9: para que serve e porque o consumo de folato é insuficiente entre brasileiros

Redação Hypeness - 18/02/2022 às 10:21

A Vitamina B9 (ou folato) está em muitos alimentos básicos do nossodia a dia, como feijões, vegetais verde escuros, frutas cítricas como a laranja, ovos e carnes. Mas parece que os brasileiros estão ingerindo cada vez menos desse nutriente.

É o que mostra uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP que analisou a ingestão de folato (vitamina B9) pela população brasileira e concluiu que há uma deficiência nos últimos anos. A vitamina é ligada à formação de glóbulos vermelhos e para o crescimento e função celular saudável.

Crucial no período da gravidez, o baixo nível de folato no organismo materno pode resultar em complicações tanto para a gestante como para o feto, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e defeitos de fechamento do tubo neural, que comprometem o desenvolvimento da coluna vertebral/medula espinhal e do cérebro da criança.

Vitamina B9 é especialmente importante na gravidez

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No Brasil, é realizada a fortificação obrigatória das farinhas de trigo e milho com ácido fólico, que é a forma sintética do folato. Assim, alimentos à base destas farinhas como pães, massas, bolos, pizzas, sanduíches, salgados, bolachas, biscoitos também são fontes desta vitamina.

A quantidade diária recomendada de folato para adultos é de 400 microgramas. Mulheres adultas que planejam engravidar ou podem engravidar são aconselhadas a ingerir de 400 a 1.000 mcg de ácido fólico por dia.

A pesquisa foi realizada durante o projeto de pós-doutoramento da nutricionista Cecilia Zanin Palchetti, que comparou a ingestão alimentar de folato pela população brasileira em 2008/09 e 2017/18. Segundo o trabalho, aumentou a porcentagem de pessoas que não atingiram as necessidades diárias deste nutriente, estabelecidas de acordo com sexo e idade.

Entre as mulheres em idade reprodutiva, que são o público-alvo da fortificação de alimentos com ácido fólico, aproximadamente 30% em 2008/09 e 40% em 2017/18 não atingiram a recomendação de ingestão desta vitamina.

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A região Norte do Brasil foi a que apresentou maior porcentagem de pessoas que não atingiram a ingestão necessária de folato, tanto para os homens quanto para as mulheres, nos dois períodos do estudo.

A pesquisa resultou no artigo Prevalence of inadequate intake of folate in the post-fortification era: data from the Brazilian National Dietary Surveys 2008-2009 and 2017-2018, publicado no British Journal of Nutrition, e que foi considerado como “O Artigo Científico do Mês” (Paper of the Month of January 2022) pela The Nutrition Society.

Importância das fontes naturais de folato

De acordo com a pesquisa, os grupos alimentares que mais contribuíram para a ingestão de folato no Brasil foram feijões, pães, massas e pizza, bolos e biscoitos, e bebidas não alcoólicas nos dois períodos estudados. Em ambos os períodos, os alimentos fortificados representaram aproximadamente 40% da ingestão total do nutriente pela população brasileira, enquanto as fontes naturais representaram aproximadamente 60%, destacando-se o grupo dos feijões.

“Sem dúvida, a fortificação mandatória de alimentos com ácido fólico contribuiu para aumentar a ingestão alimentar desta vitamina não apenas nas mulheres em idade reprodutiva, como também na população em geral. Entretanto, é importante destacar que alguns dos alimentos à base de farinhas fortificadas com ácido fólico também possuem alto teor de gorduras e/ou açúcares em sua composição e, portanto, devem ser consumidos com moderação”, alerta Cecília.

De acordo com a pesquisadora, é preciso estimular o consumo de alimentos naturalmente fontes de folato, como o feijão, tradicionalmente utilizado na culinária brasileira. “Apesar de ser um dos alimentos mais consumidos pela nossa população, houve redução do consumo de feijões em 12,8% comparando os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 com os da (POF) 2008-2009”, diz a nutricionista.

Os órgãos de Saúde recomendam que mulheres em idade fértil e que desejam engravidar façam suplementação com ácido fólico. Entretanto, muitas gestações não são planejadas. Desta forma, a fortificação de alimentos com ácido fólico é uma estratégia global para diminuir a ocorrência de defeitos de fechamento do tubo neural.

A pesquisa foi realizada sob supervisão da professora Dirce Marchioni, do Departamento de Nutrição da FSP, dentro do Programa de Pós-Graduação em Nutrição em Saúde Pública da FSP. Cecília foi bolsista do Programa Nacional de Pós-Doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

As informações são da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

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Fotos: Getty Images


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