Ciência

1 chance em 2 milhões: o encontro de um pescador com a raríssima lagosta azul

Vitor Paiva - 04/03/2022 às 19:28 | Atualizada em 08/03/2022 às 10:45

Segundo especialistas, as chances de alguém encontrar a raríssima lagosta azul são de 1 em 2 milhões, mas foi essa remotíssima sorte que o pescador Morgan Bizec tirou, enquanto trabalhava a cerca de três milhas de distância da costa de Jersey, ilha no Canal da Mancha. Segundo comentou, o crustáceo estava em uma das quatrocentos armadilhas de pesca que utilizava e, apesar de se encontrar dentro do tamanho e peso permitidos para ser pescado, em nome da manutenção de uma espécie ameaçada de extinção, o pescador abriu mão da imensa sorte alcançada, e devolveu o animal às águas próximas à costa da França – não sem antes, é claro, registrar o incrível “encontro” em fotos.

A Lagosta azul encontrada recentemente em Jersey

A Lagosta azul encontrada recentemente em Jersey

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Apesar da maioria possuir o casco em cor alaranjada ou próximo ao marrom, existem lagostas nas mais variadas tonalidades, incluindo cascos amarelos, pretos e até mesmo em duas ou mais cores. As variações se dão a partir de anomalias genéticas, provocando uma produção excessiva da proteína responsável pela coloração do exoesqueleto do animal, e apesar da raridade e da beleza fazerem com que uma lagosta azul muitas vezes seja vendida por valores mais altos que o normal, para além da “roupa”, o animal, encontrado principalmente nas costas da América do Norte e da Europa, é essencialmente uma lagosta comum.

Outro exemplar do raro animal, registrado no fundo do mar

Outro exemplar do raro animal, registrado no fundo do mar

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Uma lagosta azul pode chegar a ser vendida por 500 dólares na internet, e a decisão de devolver a recém encontrada para os mares tomada pelo pescador foi celebrada pelos biólogos marinhos em Jersey. “Nós costumávamos ter muitas lagostas azuis em nossas águas, mas enquanto a população de lagostas vem caindo substancialmente de modo geral, a lagosta azul está se tornando cada vez menos frequente, então é realmente uma mutação rara”, afirmou Kevin McIlwee, da Conservação Marinha de Jersey. Morgan Bizec é originário de Saint Brelade, uma das doze freguesias que formam a ilha de Jersey no Canal da Mancha.

A lagosta azul descoberta na Escócia no ano passado

A lagosta azul descoberta na Escócia no ano passado

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Curiosamente, uma outra lagosta azul havia sido encontrada em Aberdeen, no litoral da Escócia, em setembro do ano passado, e foi oferecida a um aquário da região. Essa não é, no entanto, a variação mais rara do animal já registrada: segundo especialistas, as chances de alguém encontrar e capturar lagosta albina – também conhecida como lagosta fantasma ou lagosta cristal – são de 1 em 100 milhões. A ausência de pigmento faz com que esse que é o mais raro tipo de lagosta conhecido não fique vermelho quando cozida: na maioria dos casos, porém, a lagosta albina é excessivamente pequena para ser comercializada.

Duas lagostas albinas com uma lagosta laranja ao meio

Duas lagostas albinas com uma lagosta amarelada ao meio

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© foto 1: Morgan Bizec

© foto 2: Wikimedia Commons

© foto 3: Ricky Greenhowe/Facebook

© foto 4: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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