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127 jornalistas e veículos foram vítimas de violência de gênero em 2021, aponta relatório

Redação Hypeness - 11/03/2022 às 10:25 | Atualizada em 15/03/2022 às 10:54

Quantas vezes você ouviu falar de uma jornalista ou de um veículo de comunicação que sofreram violência? Se você acompanha os noticiários nos último anos do governo Bolsonaro, certamente várias, já que o presidente sozinho foi responsável dezenas de episódios de violência aos profissionais da imprensa. Pensando só em violência de gênero – e somando outros casos além do chefe de Estado atual -, o número se mantém nas alturas.

Segundo o levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), realizado com apoio do Global Media Defence Fund, da UNESCO, em 2021, 127 jornalistas e meios de comunicação foram alvos de 119 casos de violência de gênero, dos quais mulheres jornalistas (cis e trans) representam 91,3% das vítimas.

127 jornalistas e veículos foram vítimas de violência de gênero em 2021, aponta relatório

127 jornalistas e veículos foram vítimas de violência de gênero em 2021, aponta relatório

O relatório “Violência de gênero contra jornalistas” aponta ainda que, em 2021, profissionais da imprensa e veículos foram alvos de 45 ataques direcionados, utilizando gênero, sexualidade ou orientação sexual como argumentos para a agressão. “Discursos estigmatizantes”, narrativas que utilizam agressões verbais com o intuito de hostilizar e descredibilizar jornalistas, representam 75% dos episódios identificados pela Abraji.

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Outro dado revela que 71,4% dos insultos tiveram origem ou foram repercutidos em ambientes virtuais, como a rede social Twitter. Os principais agressores identificáveis foram homens, correspondendo a 95% dos abusos dentro e fora da internet.

O relatório da Abraji monitorou redes sociais como propagadoras de agressões a profissionais de imprensa e registrou 57 ataques sistemáticos envolvendo usuários. Dentro da análise, constatou-se que 59,9% dos casos de discursos estigmatizantes foram iniciados por publicações de autoridades de Estado e outras figuras proeminentes no campo político brasileiro. Como reflexo, em 60% dos alertas, a vítima cobria ou comentava questões relacionadas a política.

O levantamento também apurou o perfil das vítimas e sua atuação na imprensa. Do total de casos registrados, as hostilidades são predominantemente direcionadas a repórteres e analistas (85,7%) de meios de comunicação. Os profissionais mais atacados atuam na televisão (47%); jornais nativos impressos (20,1%); e jornais nativos digitais (14,3%), como aponta a plataforma online do projeto. A região Sudeste lidera o número de ocorrências, com 66,4% dos ataques, seguida por Nordeste (12,6%) e Centro-Oeste (11,7%).

“Os constantes ataques de violência de gênero contra jornalistas no país refletem o delicado momento que estamos vivendo. O nosso relatório dá visibilidade ao problema que acompanhamos diariamente. Nossa missão é unir forças e, com base nesses dados e indicadores, buscar soluções”, afirmou Leticia Kleim, assistente jurídica da Abraji e coordenadora do relatório.

Para Kleim, a naturalização dos ataques dificulta traçar um retrato desse tipo de violência. “O relatório vem para dizer que esses episódios são uma forma de violência que soma a censura à liberdade de imprensa a ataques machistas ou LGBTfóbicos e não devem ser normalizados”, completou.

O relatório completo pode ser acessado em: Violência de Gênero Jornalismo.

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fotos Getty Imagens


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