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A história da 1ª mulher trans do Brasil coronel da Polícia Militar

Redação Hypeness - 04/03/2022 às 06:29

Fevereiro foi o mês da Visibilidade Trans e a comunidade teve uma ótima notícia: pela primeira vez no Brasil, uma mulher trans foi registrada como tenente-coronel da Polícia Militar. A história de Maria Angela aconteceu no Distrito Federal e ela fez um vídeo para contar a novidade e inspirar outras pessoas transgênero que desejam seguir carreira na corporação.

Maria Antônia tem hoje 60 anos e, depois de servir por mais de 30 anos, hoje faz parte da reserva remunerada da PM. Ela conta no vídeo que conseguiu retificar os dados em seus documentos militares sem nenhum problema ou burocracia e agora se tornou a única transexual a alcançar a patente.

A história da 1ª mulher trans do Brasil coronel da Polícia Militar

A história da 1ª mulher trans do Brasil coronel da Polícia Militar

No vídeo publicado em suas redes sociais, Maria Antônia afirmou que, na polícia, o processo foi respeitado. “Estou aqui novamente para aproveitar o mês da visibilidade trans e dar uma notícia em primeira mão, no sentido também de ajudar outras pessoas que tenham a mesma profissão que eu tive”, começou.

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“Trabalhei mais de 30 anos na Polícia Militar do Distrito Federal. Agora estou na reserva remunerada. Hoje estou em Brasília para fazer a retificação dos meus documentos. Fui muito bem atendida, muito bem tratada. Foi simples, fácil, sem nenhuma burocracia. Assim, a título de curiosidade, até o momento consta que sou a primeira mulher trans tenente-coronel da Polícia Militar do Distrito Federal e de todas as PMs e dos Bombeiros Militares do Brasil”.

A tenente-coronel contou ao g1 que se sentia em “uma posição de alegria e, ao mesmo tempo um local de visibilidade, um local de fala importante, para a comunidade trans”. O anúncio de Maria Antonia foi feito exatamente para mostrar que é possível ter grandes conquistas, mesmo em corporações mais conservadoras.

“Não apenas da minha história, mas das pessoas trans que vieram antes de mim e que virão posteriormente. Existe uma questão de espaço, de visibilidade para a comunidade”, diz a coronel da PMDF.

Maria Antônia começou a servir à Polícia Militar do Distrito Federal em 1987, sendo uma das fundadoras do 5º Batalhão, localizado no Lago Sul, em Brasília. Ali passou a coordenar o policiamento nos setores de embaixadas. Em sua carreira, a coronel passou ainda pelo 1º Batalhão, também na Asa Sul, pelo 2º Batalhão, na cidade-satélite de Taguatinga, e pelo 3º Batalhão, na Asa Norte da capital federal.

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Segundo Maria Antônia, que atualmente mora no interior do Rio Grande do Sul, a comunidade trans precisa ser melhor atendida em vários sentidos, principalmente quando falamos de saúde, empregabilidade e vulnerabilidade social.

“É preciso dar visibilidade. Mas, para que haja visibilidade, as pessoas trans têm que estar vivas, e isso, no Brasil, se limita a 35 anos de idade, quando na população CIS, a estimativa de vida é de 70 anos”, diz a coronel militar.

O processo de transição de Maria Antônia começou há quatro anos, depois que ela deixou a Polícia Militar. A partir daí passou por uma série de intervenções cirúrgicas encarando o processo, conhecido como transição segura, que envolve se reconhecer, identificar e aceitar como pessoa transgênero.

“Você precisa se amar, e também ser feliz com a sua essência. Esse é um processo que varia de tempo para cada pessoa, não há um tempo definido”, conta ao portal G1.

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Sobre as etapas da transição, ela explica que é necessário fazer acompanhamento médico e psicológico antes de pensar em cirurgia – que também é completamente opcional. Afinal, basta ela se identificar como mulher para ser, independente de seu corpo.

“O que define é a sua identificação e reconhecimento como pessoa do gênero feminino. Por isso é tão necessário que se use o tratamento de pronome correto, em respeito ao nome social. Em qualquer idade, o importante é manter a sua essência (…) e seguir os passos para cada transição ser segura”, conta.

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Fotos: Arquivo pessoal


Redação Hypeness
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