Ciência

A jovem bolsista que coletava material reciclável e agora pesquisa para encontrar a cura da asma

Vitor Paiva - 08/03/2022 às 10:25 | Atualizada em 08/03/2022 às 10:48

Foi literalmente do lixo que surgiu o interesse, a paixão, a dedicação da jovem Dayene Caldeira pela ciência – que se tornou também seu estudo, sua profissão e pode se transformar na cura da asma.

A carioca ajudava sua família na coleta de material reciclável das ruas, e os livros encontrados permitiram o início dos estudos da atual doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que no momento também participa de um programa na Irlanda do Norte, liderando uma inovadora pesquisa que pode resolver a doença pulmonar crônica. “Eu conheci a ciência através do lixo, aprendi inglês através do lixo. Essa parte da minha vida é muito importante”, afirma Caldeira.

A doutoranda carioca Dayene Caldeira busca, em sua pesquisa, nada menos que a cura da asma

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Carioca em busca da cura da asma

A promissora pesquisa da carioca em busca da cura da asma pode beneficiar cerca de 20 milhões de brasileiros e brasileiras, e mais de 350 milhões de pessoas que em todo mundo sofrem com a moléstia. A inspiração, porém, veio de casa, do mesmo processo de luta que moveu sua família e seu caminho científico: na infância, Dayane costumava acompanhar sua avó durante a coleta de material reciclável, mas também nas visitas constantes que tinha de fazer aos hospitais, durante as crises respiratórias agudas e recorrentes que afetavam sua avó.

“Eu acho que muito do que eu vi com a minha avó, essa necessidade de grande parte da população que precisava ter acesso a coisas diferentes, me fez ver de que fato eu tenho um propósito e que eu quero continuar”, afirmou.

A inspiração para a jovem de sua avó, que coletava o material com o qual começou a estudar, e que sofria com a doença pulmonar

A inspiração vem de sua avó, que coletava seus livros e sofria com a doença pulmonar

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Dayene participou da 30ª edição do Programa de Líderes da Fundação Estudar, iniciativa que oferece bolsas de estudo, mentorias e eventos de desenvolvimento, networking e apoio a jovens que buscam conhecimento de ponta para atuar positivamente no país e no mundo, e se formar nas melhores universidades.

Seu trabalho  em desenvolvimento pela cura da asma a levou atualmente a um fellowship na Queen’s Belfast University, universidade na Irlanda do Norte – utilizando células-tronco como “carregadoras” para transferir novas mitocôndrias, organelas celulares ligadas ao processo de respiração celular, às células do pulmão de quem sofre com a doença.

A asma afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo - 10% delas em quadro grave

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“As células-tronco têm o potencial de se diferenciar e atuar em imunorregulação. Elas são células que podem se transformar em diferentes tipos de células. E quando a gente coloca as mitocôndrias nesta célula, vemos que elas realmente aceitam. Não é algo mirabolante. Realmente funciona”, afirmou a pesquisadora carioca, que está prestes a se tornar doutora em ciências biológicas pelo Laboratório de Investigação Pulmonar da UFRJ.

Quando concluir seu trabalho para contribuir consideravelmente pela cura de uma doença que afeta a tantos em todo o mundo, Dayene deseja ver sua pesquisa transformada em política pública, para reduzir as internações e oferecer conscientização e acesso sobre o tema a toda a população.

A jovem no instituto de pesquisa na UFRJ, onde se formará como doutora em

A jovem no instituto de pesquisa na UFRJ, onde se formará como doutora em ciências biológicas

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Além de poder melhorar a vida de milhões, o trabalho de Dayene deve também servir de inspiração para outras pessoas que se saibam capazes de superar dificuldades e mudar o mundo. Pois é para ajudar tais mentes brilhantes que a Fundação Estudar deu início às inscrições para a 31a edição do Programa de Líderes. As inscrições vão até 22 de março de 2022, oferecendo bolsas de estudo e suporte aos selecionados.

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© fotos 1, 2: Divulgação

© foto 3: Getty Images

© foto 4: Arquivo Pessoal


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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