Inspiração

Ansiedade é um hábito que pode ser abandonado, segundo este psiquiatra; saiba como

Redação Hypeness - 29/03/2022 às 08:49 | Atualizada em 13/04/2022 às 10:22

A ansiedade é a doença do nosso tempo e se você tem sentido que não consegue se livrar dela, o que posso te dizer é: bem vinde ao ano de 2022, uma junção de crises sanitárias, financeiras diplomáticas e, claro, nóias.

O que parece ser um buraco sem fundo irremediável, pode ser apenas um hábito a ser quebrado. É o que afirma o psiquiatra Dr. Judson Brewer. Autor do bestseller “Unwinding Anxiety” (Descontraindo Ansiedade) e apresentador do TED Talk “A Simple Way to Break a Bad Habit” (Um jeito simples de interromper um hábito), visto mais de 18 milhões de vezes.

Assista com legendas no site oficial do TED Talks.

Dr. Judson é também criador do aplicativo “Unwinding Anxiety”, com o qual ele usa para orientar as pessoas no desenrolar de seus hábitos de ansiedade que se acumularam na mente.

“Medo mais incerteza leva à ansiedade, e essa ansiedade faz com que a parte de pensamento e planejamento do cérebro fique offline – então eu postularia que a preocupação não apenas não ajuda, mas na verdade piora as coisas porque não podemos pensar e planejar”, disse ele no podcast Good Talks.

Ele afirma que uma boa tática é mudarmos nossa relação com nossas emoções e pararmos de alimentá-las. Ao mesmo tempo, quando elas reaparecem, não resistimos a elas, porque essa resistência faz parte da alimentação: “o que resistimos persiste”.

 

Reconhecendo os gatilhos

Em “Descontraindo Ansiedade”, Dr. Judson Brewer se baseia em suas mais de duas décadas de experiência com treinamento em mindfulness, juntamente com pesquisas sobre o cérebro, para contribuir com o conhecimento sobre como as pessoas podem fazer mudanças permanentes e positivas em suas vidas.

Aqui no Brasil, somos uma grande nação de ansiosos. Em estudo realizado em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o Brasil é o campeão de ansiedade comparado a todos os outros países do mundo. Ao todo, são 18,6 milhões de brasileiros que sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade.

O Dr. Judson descreve a formação de qualquer hábito através de três elementos: um gatilho, um comportamento e uma recompensa. “Pense nos mecanismos básicos de sobrevivência. Vemos comida, comemos comida. Aí está o comportamento. E então a recompensa é que nosso estômago envia um sinal de dopamina ao nosso cérebro que diz: ‘Lembre-se do que você comeu, onde você encontrou essa comida’. Qualquer hábito é formado dessa forma”, disse em entrevista à CBC.

Sobre a ansiedade especificamente, ele afirma que o sentimento pode desencadear o comportamento de preocupação. “Essa preocupação pode nos fazer sentir como se estivéssemos no controle ou, pelo menos, nos fazer sentir que estamos fazendo algo, mesmo que não estejamos no controle. E isso é melhor do que não fazer nada”.

Para ele, o mais importante é perceber o gatilho – o comportamento e a recompensa em um ciclo de hábito – e como a recompensa realimenta o gatilho. No livro, ele fala de um paciente que teve ansiedade por mais de 30 anos e realmente não tinha ideia de como sua mente funcionava. Começou o tratamento então com um pedaço de papel onde escreveu “gatilho, comportamento, recompensa” para ajudar a mapear por onde os sintomas começavam.

Ele teria esses pensamentos de que poderia sofrer um acidente de carro. O comportamento foi evitar dirigir na rodovia. E então a recompensa temporária para ele era que ele não teria esses pensamentos desagradáveis. Mas, é claro, isso estava levando a todos os tipos de problemas para ele, porque ele estava tendo problemas para dirigir.

O que você ganha com isso?

Com foco no comportamento inicial, por exemplo – preocupação, procrastinação ou alimentação compulsiva – e depois mapeando-o de volta ao gatilho. A ideia é identificar os pontos de partida e mapeá-los até a recompensa. Daí é importante manter o valor da recompensa sempre atualizado e se perguntar: “o que estou ganhando com isso agora?”

O psiquiatra mostra que, a partir da identificação, passamos a entender que algumas coisas não são tão gratificante quanto pensávamos – seja ter comido todo o saco de batatas fritas ou nos comparando com outras pessoas – e que isso abre espaço para uma oferta maior e melhor, onde nosso cérebro pede algo melhor.

“Há duas coisas que podemos acessar, fomentar e apoiar que estão sempre disponíveis: curiosidade e gentileza. A comparação, por exemplo, parece um sentimento contraído. Se olharmos para a bondade ou curiosidade, elas parecem expandida. Portanto, já podemos começar a injetar essas qualidades de expansão simplesmente sendo curiosos: ‘Ah, olha eu aqui me julgando de novo’. Isso nos ajuda a nos abrir. Ou, ‘olha eu aqui me agredindo. Estou sendo indelicado comigo mesmo'”.

Como ele mesmo finaliza no vídeo do TED Talks: observe a vontade de fazer algo, tenha curiosidade de como seu corpo se sente a respeito, sinta a alegria de se desprender dela, repita. Crie novos hábitos usando a curiosidade a seu favor. E faça de novo!

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Ilustrações: Getty Images

Fotos: Reprodução/TED


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