Debate

Bombas de fragmentação: o papel da família real brasileira na produção de artefato com potencial destrutivo enorme

Redação Hypeness - 03/03/2022 às 12:50 | Atualizada em 07/03/2022 às 12:53

Na última semana, organizações de direitos humanos denunciaram que o Exército Russo utilizou bombas de fragmentação ou bomba cluster durante a invasão do país à Ucrânia. Esse tipo de armamento é rechaçado pela maioria dos países, mas não pelo Brasil, que é um dos maiores exportadores dessas bombas no planeta. E se depender do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (União-SP), nosso país seguirá produzindo as bombas cluster.

O que são bombas de fragmentação?

As bombas de fragmentação ou cluster bombs são armas de destruição que funcionam da seguinte maneira: um avião joga uma caixa com cerca de 600 bombas no ar. Essa caixa se abre e essas bombas são espalhadas em um raio de oito campos de futebol. Elas são consideradas armas de alta de capacidade de destruição.

bomba de fragmentação

Bombas de cluster foram utilizados em conflitos na Sìria, no Iraque, na Líbia e, agora, podem estar sendo utilizadas no leste europeu

Essas mais de 600 bombas podem explodir no momento da queda, mas também podem ser programadas para não explodir nesse primeiro contato Assim, elas acabam se transformando em minas terrestresou seja, caso alguém pise por engano na bomba, ela irá explodir.

As minas terrestres são proibidas por 157 países do mundo, com poucas exceções, entre elas, Estados Unidos, Cuba, Rússia, Índia e China.

– Presidente da Ucrânia foi comediante no passado e acabou eleito quase que acidentalmente

As bombas de fragmentação também são proibidas na maior parte do planeta: mais de 100 países proíbem a fabricação, a importação e a exportação das cluster bombs. E o Brasil, que proíbe as minas, não proibiu as bombas desse tipo.

Uso das bombas de fragmentação na Rússia

O uso das bombas cluster foi negado pela Rússia e não foi confirmado pela Ucrânia. Mas a ONG Anistia Internacional garante que esse tipo de armamento foi usado na região de Kharkiv, no leste do território ucraniano. De acordo com as denúncias, os projéteis atingiram hospitais de civis e uma creche.

“Não há possível justificativa para usar bombas de fragmentação em áreas povoadas, quanto mais perto de uma escola”, afirmou, a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, em nota. “Esse ataque traz todas as marcas do uso indiscriminado pela Rússia dessa arma banida internacionalmente, e mostra um flagrante desrespeito pela vida dos civis”.

Brasil e as bombas cluster

As bombas cluster são alvo de disputa política no país desde os anos 2000. Em 2009, o então deputado federal Fernando Gabeira havia proposto a proibição da fabricação desses dispositivos de guerra. Em 2012, uma nova tentativa foi realizada, mas, dez anos depois, ela foi rejeitada.

bomba de fragmentação o que é

Deputado bolsonarista e pró-monarquia foi relator de projeto que proibiria o uso e a produção dessas armas cruéis no Brasil

O projeto de lei 3228/12 foi parar na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. O projeto foi rejeitado por Luiz Philippe de Orleans e Bragança, membro da autodeclarada família real brasileira, apoiador de Jair Bolsonaro e membro do União Brasil, partido resultado da fusão do Democratas e do PSL.

Luiz Philippe de Orleans Bragança afirmou que a proibição desse armamento causaria prejuízo econômico para o Brasil, afetando a geração de empregos e a defesa nacional. A decisão beneficia em especial a Avibras, empresa armamentista brasileira que produz as bombas de fragmentação.

O Brasil comercializou essas bombas para Malásia, Zimbábue, Irã, Iraque e Arábia Saudita nos últimos anos. A principal beneficiária é a Avibrás, que teve lucro líquido de R$ 101 milhões em 2019.

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