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Brasil está longe do topo em lista com melhores e piores países para ser mulher

Redação Hypeness - 08/03/2022 às 12:51 | Atualizada em 08/03/2022 às 13:00

O relatório “Women, Peace and Security Index” (WPS Index), desenvolvido pelo Instituto para Mulheres da Universidade de Georgetown, foi divulgado no último dia 8 de março. O documento, que estuda quais são as condições de vida das mulheres ao redor do planeta, rankeia quais são os melhores países para as mulheres no mundo. O Brasil ficou em 80º na lista, um pouco acima da média mundial em equidade de gênero.

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O estudo compara condições de trabalho – como igualdade salarial -, com inclusão na política e na sociedade como um todo, além de levar em consideração proteção contra violência, acesso à justiça e segurança, em index que ao todo soma 11 índices.

Impacto da covid-19 nas desigualdades

O índice é bianual e, em comparação com o biênio 2019-2020, as condições de vida das mulheres pioraram ao redor de todo o planeta e a desigualdade entre os países aumentou drasticamente. Os piores países para ser mulher no mundo são, de acordo com o WPS Index, o Afeganistão, a Síria e o Iêmen. Todos estas nações estão em um processo de guerra civil contínua há pelo menos uma década.

“As tendências do Índice WPS mostram que o avanço global do status das mulheres diminuiu e as disparidades aumentaram entre os países”, diz o documento.

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Entretanto, os dados apontam que a pandemia – e seus impactos econômicos e sociais – tornaram a vida das mulheres mais difícil.

“A pandemia catalisou diversas crises e os desafios para as mulheres pioraram em diversos campos; além do aumento da desigualdade de renda e da intensificação do trabalho de cuidado não remunerado, o confinamento também intensificou casos de violência doméstica ao redor do mundo”, explica o relatório.

O Brasil no ranking

O Brasil ficou mal colocado no ranking, figurando na 80ª posição de 170. O país ainda sofre com desigualdade salarial, violência doméstica em índices altíssimos e ínfima participação de mulheres dentro da política institucional.

Nosso parlamento é o mais desigual na questão de gênero em comparação com todos os outros países da América Latina e do Caribe, mostrando que, em 2022, essa situação precisa mudar.

Além disso, toda a nossa região possui um baixo índice de segurança comunitário, com dois terços das mulheres se sentindo ameaçadas ao andar à noite no seu próprio bairro. A nível de comparação, na Noruega, 90% das mulheres se sente segura nesse tipo de situação.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 25% das mulheres brasileiras sofreram alguma violência de gênero durante o ano de 2020. De acordo com o estudo, 17 milhões de adultas foram vítimas de agressões físicas, verbais, sexuais e psicológicas no ano retrasado.

O Brasil pontuou 0.734 no índice, um pouco acima da média global de 0.721, mostrando que ainda há muito o que ser feito no país nos próximos anos. E um bom exemplo é olhar para os países que foram bem no WPS Index.

Os melhores países para ser mulher no mundo

Os países onde a desigualdade de gênero se mostrou menos violenta foram os nórdicos. Islândia, Noruega, Finlândia e Dinamarca são os quatro primeiros colocados no ranking. Veja a lista completa:

  1. Noruega (0.922)
  2. Finlândia (0.909)
  3. Islândia (0.907)
  4. Dinamarca (0.903)
  5. Luxemburgo (0.899)
  6. Suíça (0.898)
  7. Suécia (0.895)
  8. Áustria (0.891)
  9. Reino Unido (0.888)
  10. Holanda (0.885)

De acordo com a pesquisa, esses países pontuam bem porque possuem políticas públicas que garantem segurança para mulheres e porque combatem a desigualdade através da legislação, além de possuírem forte participação política feminina em suas casas parlamentares.

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“As grandes conquistas nas frentes de inclusão e justiça podem ser atribuídas, pelo menos em parte, a políticas públicas que promovem um modelo de dupla renda. Nos países nórdicos, as diferenças de gênero na participação da força de trabalho são pequenas. Também garantem a licença parental para mães e pais”, explica a pesquisa.

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Fotos: Foto 1: Rovena Rosa/Agência Brasil Foto 2: Domínio Público Foto 3: Laura Kotila / Finnish Government


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