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Casal de espiões tentou vender ao Brasil os segredos nucleares mais importantes do exército dos EUA

Yuri Ferreira - 16/03/2022 às 12:21 | Atualizada em 16/03/2022 às 12:31

Uma reportagem do The New York Times revelou um plano escandaloso de venda de segredos de estado dos EUA para o governo brasileiro.

Jonathan Toebbe e Diana Toebbe eram engenheiros navais para a Marinha dos Estados Unidos e tinham acesso a milhares de documentos sobre o programa de submarinos nucleares estadunidenses. Em posse dos documentos classificados roubados do governo dos EUA, eles pensaram que poderiam ganhar muito dinheiro com os segredos da maior potência bélica do mundo.

O casal pensou para que países eles poderiam vender as informações. A equação era simples: a nação que tivesse acesso aos documentos não poderia ser uma inimiga direta dos Estados Unidos, como Rússia e China, nem uma aliada, como Reino Unido e França, mas teria que ter dinheiro o suficiente para comprar os documentos. A quem os espiões incidentais se dirigiram?

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Ao Brasil de Jair Bolsonaro. Eles enviaram uma mensagem para a embaixada brasileira em 2020 comunicando o desejo de vender segredos de estado para os EUA. Os diplomatas brasileiros prontamente comunicaram o FBI, a polícia federal norte-americana, do plano dos Toebbe.

Submarinos nucleares

Submarinos nucleares são embarcações que não podem ser detectadas por radares e possuem a capacidade de navegar águas profundas. Além disso, eles operam com um reator nuclear, o que garante autonomia quase integral para o aparelho militar. Tem mais, submarinos nucleares possuem a capacidade de utilizar munição balística, ou seja, soltar mísseis nucleares de pontos não observáveis do mar em direção à superfície.

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Os documentos teriam muito valor para o Brasil, que possui um projeto de submarino nuclear que não consegue sair do papel por questões técnicas. Muitos analistas acreditam que a aproximação entre Bolsonaro e Putin nos últimos meses em meio à invasão da Rússia à Ucrânia tem a ver com uma troca de tecnologia para o desenvolvimento de submarinos nucleares brasileiros. Ainda assim, a embaixada brasileira decidiu fazer a coisa certa e entregar o casal de espiões para os estadunidenses.

O FBI armou uma operação falsa para capturar os traidores na Embaixada do Brasil em Washington. Um agente disfarçado assumiu a comunicação com os engenheiros e combinou com eles que um sinal de luz da janela do prédio brasileiro na capital dos Estados Unidos indicaria que Brasília desejaria os documentos.

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Depois de ver o sinal de luz, Toebbe concordou em deixar uma amostra dos documentos secretos roubados escondidos em um pote de pasta de amendoim na West Virginia, o que desencadeou uma série de eventos que culminaram na prisão do casal.

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Então, o casal foi preso em flagrante e está detido desde outubro de 2020. Ambos foram condenados a 17 anos e meio de prisão pela tentativa de venda de documentos dos EUA por estrangeiros. A história poderia render um filme, não podia?

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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