Debate

Cientista negra vítima de racismo na Livraria da Travessa explica vaquinha por ‘livraria verdadeiramente antirracista’

Roanna Azevedo - 09/03/2022 às 10:16 | Atualizada em 09/03/2022 às 10:41

A cientista e pesquisadora Nina da Hora está organizando uma campanha de financiamento online para fundar uma livraria antirracista. A ideia não foi uma novidade para ela, que já desejava colocar o projeto em prática, mas resolveu adiantá-lo após ser vítima de racismo pela Livraria da Travessa do bairro Leblon, no Rio de Janeiro.

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O episódio racista aconteceu no último dia 3 de março. Nina foi à livraria na companhia da irmã, quando começou a ser seguida por um segurança. O funcionário chegou até a impedir que a cientista lesse na loja, se debruçando sobre os livros que ela estava vendo.

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Nina foi fazer uma reclamação à gerente da loja, que preferiu questionar onde ela morava. A pesquisadora ainda precisou dizer que era cliente da livraria e guardava as últimas três notas fiscais de compras que fez na livraria.

A Livraria da Travessa veio à público três dias após o ocorrido. Em nota publicada no Instagram, o estabelecimento afirmou que “não compactua com nenhuma prática discriminatória de qualquer natureza”. O perfil concluiu o comentário dizendo que uma de suas missões é “incluir, divulgar, promover o acesso a todas as manifestações culturais” e que acredita “ter um histórico que comprova isso”.

Nina decidiu antecipar o projeto de criar uma livraria antirracista após sofrer racismo na Livraria da Travessa do Leblon, no Rio de Janeiro.

Além de divulgar o link da vaquinha para seu projeto, Nina também divulgou uma lista com outras livrarias administradas por pessoas negras. “O ponto é que não deixarei de entrar em livrarias, nem deixar de ler por isso. Aconteceu em um dos lugares (livrarias) que mais me sinto bem, mas aí, se o lugar não está preparado para pessoas negras, então é o lugar que tem que se retirar”, declarou a cientista da computação formada pela PUCRio.

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Foto 1: Reprodução - Instagram.com/ninadhora


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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