Ciência

Cistite: o que causa, porque atinge mais mulheres do que homens e como evitar

Roanna Azevedo - 21/03/2022 às 10:19

A cistite é uma inflamação ou infecção da bexiga. Ela é gerada pela bactéria Escherichia coli, que atua naturalmente no processo de digestão. Apesar de viver no intestino sem causar nenhum dano, ela é bastante prejudicial se entrar em contato com o trato urinário. Mas outros microrganismos também podem desencadear cistite.

Essa doença afeta crianças, homens e, principalmente, mulheres. Mesmo dolorosa, costuma ser de simples tratamento. Porém, se a Escherichia coli afetar os rins, a cistite evolui para uma pielonefrite, um problema grave de saúde que pode levar à morte por infecção generalizada, quando não tratado corretamente.

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O que causa a cistite?

Ao contrário do que muitos podem pensar, a cistite não é uma doença contagiosa. Portanto, não pode ser transmitida de uma pessoa para a outra. Diversos fatores facilitam o alojamento das bactérias do intestino na bexiga. Os mais conhecido são a má higienização das genitálias e as relações sexuais sem o uso de preservativo.

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A chamada “cistite da lua de mel” acontece quando bactérias da própria vagina se deslocam para a bexiga por causa de pequenas lesões provocadas pela relação sexual repetitiva na uretra. O sexo anal ativo sem camisinha também facilita o caminho dos microrganismos do intestino para o trato urinário.

Esquema ilustrativo das bactérias do intestino alojadas na bexiga.

Além disso, a cistite pode ser provocada pela pouca ingestão de água e consequente baixa produção de urina, pelo uso de medicamentos que enfraquecem o sistema imunológico e por histórico genético. O desequilíbrio do pH da região íntima gerado pelo uso de sabonetes e outros produtos de higiene também contribui para o surgimento da doença.

A infecção da bexiga ainda pode ser causada por fatores como gravidez, diabetes e problemas na próstata. Esse último acomete principalmente homens acima dos 50 anos, idade em que a próstata tende a aumentar de tamanho e obstruir a saída da urina. Dessa forma, uma pequena quantidade de xixi sempre fica contida da bexiga, se transformando em um ambiente perfeito para a proliferação de bactérias.

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Por que a cistite é mais frequente nas mulheres?

A cistite é mais comum nas mulheres por causa de questões anatômicas. A uretra feminina é curta, em comparação a masculina, e se localiza próxima ao ânus. Desse modo, o caminho que as bactérias do intestino precisam percorrer até contaminarem a bexiga é muito menor. É por esse motivo que uma em cada quatro mulheres provavelmente desenvolverá cistite ao longo da vida.

Ilustração mostrando a diferença anatômica entre o trato urinário da mulher e do homem.

Quais são os sintomas da cistite?

Os principais sintomas desse tipo de infecção são sensação de ardor e vontade de urinar com frequência, quantidade baixa de urina eliminada e dores na bexiga. A região do baixo ventre e as costas também podem ficar doloridas. É comum ter febre e, em casos mais graves, até expelir sangue no xixi.

Como evitar a cistite?

Acrescentar ou mudar alguns hábitos cotidianos já é o suficiente para evitar a cistite. Os conselhos mais simples são beber muita água e não segurar a urina por longos períodos de tempo; é muito importante ir logo ao banheiro sempre que sentir vontade de urinar.

Fazer xixi após as relações sexuais também é benéfico porque auxilia na eliminação das bactérias que se deslocaram em direção a bexiga. A higiene íntima precisa ser feita com moderação e quem usa papel higiênico depois das necessidades fisiológicas deve se limpar na direção contrária da vagina, da frente para trás.

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Ainda durante o processo de higienização da genitália, é necessário trocar o absorvente menstrual com frequência. Roupas íntimas apertadas, banhos de banheira, uso descontrolado de antibióticos e consumo excessivo de álcool, cigarro e cafeína também devem ser evitados.

Qual o melhor remédio para tratar a cistite?

Há casos em que o organismo elimina as bactérias causadoras da cistite por conta própria. Mas, na maioria das vezes, é preciso tomar antibióticos receitados por um médico. Os remédios e o tempo de tratamento variam de acordo com o grau de infecção. Em algumas ocasiões, ela pode ser curada em três dias; em outras, esse período aumenta para sete.

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Foto 1: Panya_sealim/Getty Images

Foto 2: KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images

Foto 3: Reprodução/MDSaúde

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Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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