Ciência

Como o asteroide mais ameaçador em uma década mobilizou os ‘defensores planetários’

Vitor Paiva - 04/03/2022 às 19:28 | Atualizada em 08/03/2022 às 10:45

Quando o asteroide 2022 AE1 foi descoberto, no início de janeiro, os primeiros cálculos apontaram a possibilidade de o corpo celeste de 70 metros de diâmetro atingir a Terra, com previsão para o impacto ocorrer em 4 de julho de 2023. Desde o início, as chances sugeridas eram bastante remotas, primeiramente calculadas em 0,034%, e depois em 0,067%, mas as preocupações foram agravadas pela dimensão do asteroide, mas principalmente pela proximidade da data, que impediria tentativas eficazes de desviar o objeto.

O asteroide é o mais perigoso detectado nos últimos dez anos

O asteroide 2022 AE1 é o mais perigoso detectado nos últimos dez anos

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Em resumo, se os cálculos estivessem corretos e a sorte se afastasse do planeta enquanto o asteroide se aproximava, um impacto poderia trazer danos consideráveis – desde o início, porém, especialistas afirmavam que o mais provável era que novos cálculos reduzissem ainda mais as chances de colisão. Após os primeiras apontamentos, no dia 14 as chances de impacto foram recalculadas em 0,06%, e durante alguns dias do meio de janeiro a observação do asteroide tornou-se impossível por conta do brilho da Lua. Apesar das baixas probabilidades, o 2022 AE1 apresentou o maior risco registrado pela aproximação de um corpo celeste nos últimos dez anos.

A órbita do 2022 AE1 em relação à rota da Terra

A órbita do 2022 AE1 em relação à rota da Terra

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O cálculo parte de um parâmetro chamado de “distância mínima de intersecção orbital” (MOIB, em sigla em inglês), apontando a menor distância entre a órbita do asteroide e da Terra – qualquer número inferior ao raio do nosso planeta, de 6.371 km, aponta que o objeto pode atingir o planeta, caso os dois passem por um ponto de interseção potencial no mesmo momento. No final do mês, após reunidos dados de 16 dias de observação, finalmente os cálculos conclusivos foram atualizados e apresentados, encerrando qualquer possibilidade do asteroide colidir com nosso planeta: o MOID entre o 2022 AE1 a Terra foi calculado em 13 mil km.

O asteroide 2022 AE1 observado pelo telescópio Calar Alto Schmidt, na Espanha

O asteroide 2022 AE1 observado pelo telescópio Calar Alto Schmidt, na Espanha

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O número é superior ao raio, mas pode representar uma passagem perigosamente próxima, em cerca de 6 mil km de distância, caso o planeta e o asteroide passem pelo ponto de intercessão simultaneamente. Os dados levantados confirmam que não há possibilidade de colisão em 2023 nem para os próximos 200 anos, mas o diagnóstico não encerra todas as preocupações, já que os dados sobre a órbita do asteroide ainda são imprecisos, e o trajeto passa especialmente próxima ao nosso planeta: asteroides podem sofrer pequenos desvios em sua rota, e por isso é importante manter o monitoramento sobre o 2022 AE1.

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© foto 1: Pixabay

© foto 2: NASA

© foto 3: ESA/NEOCC 


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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