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Coquetel molotov: explosivo usado na Ucrânia tem raízes na Finlândia e União Soviética

Roanna Azevedo - 10/03/2022 às 10:30 | Atualizada em 14/03/2022 às 10:15

Como resposta ao chamado do governo da Ucrânia, diversos cidadãos decidiram ajudar seu país por conta própria nas batalhas contra a força militar russa. Para isso, a maioria dos civis optou por fabricar coquetéis molotov, um tipo de bomba caseira feita com substâncias inflamáveis. Comumente associada a protestos e revoltas populares atuais, essa arma, na verdade, teve origem na Segunda Guerra Mundial.

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O coquetel molotov é uma arma caseira que teve origem na Segunda Guerra Mundial.

Bombas e artefatos de guerra de estrutura parecida com a do coquetel molotov foram usados durante a Guerra Civil espanhola e as primeiras guerras coloniais. Mas a arma incendiária só foi definida e batizada do jeito que conhecemos hoje no período da Guerra de Inverno entre Finlândia e União Soviética, que teve início em novembro de 1939.

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Logo após a assinatura do pacto de não agressão entre a ocupação da Polônia, a Alemanha e a URSS no começo da Segunda Guerra Mundial, as tropas soviéticas invadiram o território da Finlândia. Como o Exército Vermelho era muito mais numeroso e equipado, os finlandeses tiveram que buscar formas alternativas de combate.

Muitos civis ucranianos decidiram se juntar à força militar do país para enfrentar as tropas russas.

A solução foi se basear em um tipo de explosivo desenvolvido pela resistência antifranquista de Toledo, cidade da Espanha. A confecção da arma foi um sucesso e seu uso também: elas conseguiam conter os tanques de guerra soviéticos e, consequentemente, o avanço das tropas. Não demorou muito para que cada soldado finlandês recebesse um exemplar.

A bomba artesanal foi então batizada de coquetel molotov em alusão a Vyacheslav Mikhailovich Molotov, o Comissário do Povo para Relações Exteriores da URSS. Ele revoltou os finlandeses por informar ao mundo que a URSS apenas enviava ajuda humanitária à Finlândia, sem bombardear o país. Como a Guerra de Inverno não tinha grande repercussão na época, essa era uma das poucas declarações que chegavam à mídia.

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Indignados com a situação, os finlandeses passaram a chamar ironicamente os bombardeios soviéticos de “toverin Molotovin leivän kori”, ou “cesta de pães do camarada Molotov” em português. Enquanto isso, também apelidaram com o nome do comissário as armas incendiárias que usavam contra os tanques russos, fazendo com que elas ficassem conhecidas assim até hoje.

Voluntário reunindo coquetéis molotov em Lviv, na Ucrânia, 27 de fevereiro de 2022.

Do que é feito o coquetel molotov?

O coquetel molotov é feito a partir da mistura de um líquido inflamável, como gasolina ou álcool, e um líquido não solúvel com alto nível de aderência. As duas substâncias são colocadas dentro de uma garrafa de vidro enquanto um pano encharcado no primeiro líquido é preso na boca do recipiente.

O tecido serve como um pavio. Depois que o coquetel molotov é atirado e atinge o alvo determinado, a garrafa se quebra, o líquido inflamável se espalha e dá início a um incêndio ao entrar em contato com o fogo do pavio.

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Foto 1: Iuri Gagarin/Getty Images

Foto 2: Reuters

Foto 3: Daniel Leal/AFP


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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