Ciência

Covid: como pandemia se desenvolve em outros países que afrouxaram medidas

Redação Hypeness - 29/03/2022 às 18:23

Vários países europeus suspenderam suas restrições ao coronavírus. Nos últimos tempos, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Chipre, França, Itália e Alemanha, além de Dinamarca, Áustria e Holanda anunciaram que a suspensão de medidas contra a disseminação da Covid-19. Agora o Brasil também aderiu ao afrouxamento das medidas sanitárias, como o uso de máscara e a ocupação de 100% dos espaços abertos ao público.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Europa encerrou cedo demais as medidas protetivas e, por isso, muitos países estão assistindo ao aumento acentuado nas infecções. Outro motivo para este aumento é apontado para a nova subvariante da ômicron, a BA2, que é ainda mais transmissível que sua prima.

Hans Kluge, diretor da região da Europa da OMS, disse que países como Alemanha, França, Itália e Grã-Bretanha suspenderam suas restrições à Covid “brutalmente – de muito para muito pouco”. As infecções estão aumentando em 18 dos 53 países da região, disse ele.

Kluge disse em coletiva de imprensa que mais de 5,1 milhões de novos casos – muitas vezes ligados à variante BA2, que os especialistas dizem ser cerca de 30% mais contagiosa – e 12.496 mortes foram relatadas na região nos últimos sete dias.

“Os países onde vemos um aumento particular são o Reino Unido, Irlanda, Grécia, Chipre, França, Itália e Alemanha”, disse ele, mas que segue “otimista, mas vigilante” sobre o progresso da pandemia na Europa.

Especialistas em saúde disseram que o aumento provavelmente se deve a uma série de fatores, incluindo a imunidade reduzida oferecida pelas vacinas ao longo do tempo, a taxa de transmissão relativamente alta de Ômicron e sua subvariante BA2 e o relaxamento de restrições, como uso de máscaras e passes de vacina para acesso a lugares fechados.

O que dizem os números

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o número de novos casos de Covid na Europa caiu acentuadamente em relação ao pico no final de janeiro, mas voltou a subir desde o início de março. Em alguns países, os números de infecção estão atingindo novos recordes.

A maioria dos controles de pandemia foi suspensa no chamado “Dia da Liberdade”, decretado na Alemanha no dia 20 de março, apesar da média móvel de novos casos diários por milhão, atingindo 2.619 no dia 19, o maior desde o início da pandemia há mais de dois anos. “A situação é muito pior do que o clima”, alertou o ministro da Saúde, Karl Lauterbach.

A Áustria voltou atrás e reativou a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados, com sua média de sete dias por milhão em um recorde de 4.985. O ministro da Saúde do país, Johannes Rauch, admitiu que o país aliviou a maioria das restrições muito cedo, em 5 de março.

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“Não é esperado um declínio nos números atuais até depois das próximas semanas”, disse o ministério, lamentando que “a situação tensa” provavelmente dure “muito mais do que o esperado anteriormente”.

Os controles na França – incluindo a exigência de usar máscaras na maioria dos ambientes internos e o passaporte da vacina para acessar cafés, cinemas e restaurantes – foram suspensos, mas sua média diária por milhão subiu para 1.331 de 774 em 5 de março.

As autoridades francesas disseram que, por enquanto, a situação nos hospitais do país era administrável, enquanto o número de pacientes em terapia intensiva e o número de mortes diárias por coronavírus estavam diminuindo.

A Itália anunciou na semana passada que as pessoas não precisariam mais mostrar comprovante de vacinação ou teste negativo para entrar em espaços fechados a partir de 1º de maio, com locais ao ar livre isentos após 1º de abril e máscaras não mais necessárias em ambientes fechados a partir de 30 de abril.

A média de sete dias de novos casos do país, no entanto, quase dobrou desde o início de março, para 1.156 por milhão de habitantes. O número equivalente no Reino Unido aumentou ainda mais dramaticamente, de 398 no final de fevereiro para 1.189 neste fim de semana.

Apesar do aumento de novas infecções, Kluge disse que a Europa está em uma posição relativamente boa para lidar com o vírus, graças à vacinação e à menor mortalidade das variantes – embora ainda seja uma doença que mata.

Parece que ainda teremos que conviver com a Covid por um bom tempo, mas isso não significa queas medidas de proteção devam ser as mesmas. Ainda é necessário proteger as pessoas vulneráveis, vigiar os aumentos de casos e mortes e manter as pesquisas em vacinas e medicamentos.

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Fotos: Getty Images


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