Debate

Disney é acusada de censurar afeto entre personagens do mesmo sexo em filmes da Pixar

Yuri Ferreira - 10/03/2022 às 13:41 | Atualizada em 10/03/2022 às 14:18

Nesta semana, um grupo de funcionários LGBTQIA+ e aliados da Disney publicou uma carta denunciando que a gigante do entretenimento proibia a demonstração de afeto entre pessoas da mesma identidade de gênero em suas produções audiovisuais.

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Disney financiou lei homofóbica

As acusações ocorrem após reportagens denunciarem que a empresa doou recursos para a aprovação da lei “Don’t Say Gay” (“não diga gay” em tradução livre), um texto de cunho homofóbico aprovado no estado da Flórida, onde o principal parque de diversões da Disney está situado.

Parada LGBTQIA+ na Disney de Anaheim, na Califórnia

A corporação que mantém franquias como “Star Wars” e “Marvel” doou 200 mil dólares para dois parlamentares estaduais da Flórida que trabalham pela aprovação do texto do projeto que proíbe educação sexual nas escolas do estado, além de quaisquer menções a orientações sexuais e identidade de gênero não-normativas em ambientes educativos.

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O texto prévio da lei também obrigaria professores a denunciar para pais o comportamento sexual dos estudantes, mas essa emenda foi derrubada durante a aprovação do resto da lei “Don’t Say Gay”.

Censura nas histórias

A revelação das doações da Disney levantou um forte debate dentro dos EUA sobre o comportamento da corporação frente às questões LGBTQIA+. Agora, as denúncias recaem sobre a direção da empresa, que censurou histórias diversas em seu catálogo de filmes e séries.

Após os funcionários questionarem a direção da Disney sobre o apoio à lei, o CEO da empresa, Bob Chapek, enviou um memorando aos seus empregados afirmando que a melhor forma de lutar por um mundo diverso é criando histórias sobre diversidade.

“Nós, da Pixar, testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diferentes e as revisões feitas pela Disney reduziam as histórias às migalhas em comparação ao que eram antes ”, afirma a carta dos funcionários da empresa.

“Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo”, continua o texto.

De acordo com a carta, a Disney censurou “quase todos os momentos de afeto abertamente gay… independentemente de quando houver protestos tanto das equipes criativas quanto da liderança executiva da Pixar.”

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Fotos: Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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