Ciência

Espírito Santo registra descoberta de 5 novas espécies de plantas; veja quais

Redação Hypeness - 14/03/2022 às 10:01

Cinco novas espécies botânicas de uma mesma família, quatro delas originárias da região do Espirito Santo, foram descobertas e registradas recentemente, sendo que três delas são criticamente ameaçadas de extinção e nascem em locais sem proteção legal.

O artigo que fala dessas três espécies foi publicado na última terça-feira, 8 de março, na revista Rodriguésia. Já as outras duas foram publicadas em novembro, na revista Nordic Journal of Botany. Isso evidencia o quão rica em em diversidade biológica é a região de Mata Atlântica, onde toda a faixa litorânea do Brasil, incluindo o Espírito Santo, está situada.

Microlicia caparaoensis

A família das plantas se chama Melastomataceae, que tem 203 espécies registradas somente no Espírito Santo, das quais 53 são endêmicas – o que quer dizer que somente são encontradas no Estado. Embora essas plantas sejam objeto de estudos no Brasil há mais de 200 anos, só agora o Espírito Santo entrou na rota da pesquisa de forma mais intensiva. Dessas 203 espécies, 48 foram descritas neste século e quase todas são endêmicas da região.

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“Isso mostra que o estado é extremamente rico, que os estudos tradicionais ignoraram o Espírito Santo e que somente com os recentes esforços de coletas, especialmente pela equipe e colaboradores do herbário do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, gerido pelo INMA, essa riqueza está sendo mostrada. A equipe do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e seus colaboradores acessam locais remotos, de difícil acesso, para fazer as coletas, essenciais a essas descobertas. Trabalhos recentes nos apontam que ainda deve ter muita coisa para descrever”, destaca o pesquisador Renato Goldenberg, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), um dos autores dos dois artigos.

No artigo publicado na revista Rodriguésia, as espécies descritas são do gênero Microlicia: Microlicia caparaoensis é endêmica do Parque Nacional do Caparaó (nos lados capixaba e mineiro); Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa são endêmicas a um único inselberg, o Alto Misterioso, em São Roque do Canaã – inselbergs são montanhas cuja formação é predominantemente de afloramentos de rochas. Os autores mantiveram uma quarta espécie como Microlicia sp., pois necessita de mais estudos para confirmar sua identidade.

Microlicia caparaoensis

Microlicia caparaoensis

Neste artigo publicado em novembro, foram descritas duas espécies de Miconia: Miconia quartzicola, coletada no município de Vargem Alta; e Miconia spiritusanctensis, coletada no Parque Estadual do Forno Grande, em Castelo, e seus arredores. Ambas são consideradas como ameaçadas – “criticamente em perigo” e “em perigo”, respectivamente, de acordo com os critérios de risco de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (sigla em inglês, IUCN).

Algumas dessas novas espécies já haviam sido coletadas há mais tempo, mas não estavam descritas e registradas. Miconia spiritusanctensis foi coletada pela primeira vez em 1985 e Microlicia caparaoensis, em 1988.

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“Essas amostras já estavam em herbários desde então, mas não identificadas porque ninguém sabia dar nome para elas. Isso porque elas pertencem a grupos muito complexos, em que a distinção entre as espécies é difícil. Foi necessário um trabalho de ‘revisão taxonômica’, uma avaliação de várias amostras nos herbários e, no primeiro caso, também estudo mais aprofundado sobre ‘envelopes climáticos’ e ‘biogeografia’ para poder confirmar que eram realmente novas”, explica Goldenberg.

Microlicia caparaoensis e Miconia spiritusanctensis

Espécies Ameaçadas

Miconia quartzicola, Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa são criticamente ameaçadas de extinção (segundo os critérios da IUCN) e ocorrem em locais sem proteção legal – somente existem fora de unidades de conservação.

Miconia quartzicola ocorre nos “morros de sal” de Vargem Alta, onde também existem outras espécies exclusivas dessas formações: Pleroma quartzophila, também da família Melastomataceae, e também de outras famílias, como a espécie Paepalanthus capixaba, descrita em 2016. “Essas áreas vêm sendo fortemente alteradas pela extração de quartzo (ou “saibro”, como é conhecido na região), usado em pavimentação ornamental”, alerta o pesquisador.

Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa só ocorrem no Alto Misterioso, vale do Canaã, na região de Santa Teresa, onde está sediado o INMA. “É um morro isolado, não protegido e também com espécies exclusivas, descritas recentemente: Huberia misteriosa (Melastomataceae), descrita em 2019, Luxemburgia mysteriosa, descrita em 2007, e Begonia mysteriosa, descrita em 2008, por exemplo”, completa Goldenberg.

As equipes dos artigos publicados têm entre seus membros jovens pesquisadores, que terminaram seus doutorados recentemente. Uma delas, a pesquisadora Ana Flávia Alves Versiane, concluiu o doutorado em 2019, na Unicamp, onde também estudaram Lucas Bacci e Thuane Bochorny.

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Fotos: Renato Goldenberg


Redação Hypeness
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