Sustentabilidade

Etanol feito a partir do milho pode ser pior para o clima que gasolina

Redação Hypeness - 07/03/2022 às 10:26 | Atualizada em 08/03/2022 às 10:56

O etanol à base de milho surgiu como uma alternativa sustentável ao petróleo, mas um estudo recente sugere que ele pode ser pior para o meio ambiente do que a gasolina, com a qual é frequentemente misturado.

Durante anos, o etanol de milho foi misturado à gasolina para ajudar a reduzir a poluição, se apresentado como uma maneira ecológica de diminuir as emissões de gases do efeito estufa. Mas, de acordo com uma nova pesquisa, publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences no mês passado, embora possa ser melhor para o ar que respiramos, não é uma vitória para o planeta.

Etanol feito a partir do milho pode ser pior para o clima que gasolina

Etanol feito a partir do milho pode ser pior para o clima que gasolina

O estudo vem logo após uma revisão de biocombustíveis feita pelo governo Biden como parte de sua estratégia de redução das mudanças climáticas que planeja descarbonizar a economia norte-americana até 2050.

A nova pesquisa, que recebeu financiamento da National Wildlife Federation e do Departamento de Energia dos EUA, descobriu que o etanol à base de milho é pelo menos 24% mais intensivo em carbono do que a gasolina. Mas o problema não é o combustível em si, mas o uso da terra para o cultivo de milho. O processamento dos grãos e o uso de equipamentos nos campos também têm papel importante na pegada de carbono.

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Etanol e meio ambiente

“O etanol de milho não é um combustível amigo do clima”, escreve o Dr. Tyler Lark, cientista assistente do Centro de Sustentabilidade e Meio Ambiente Global da Universidade de Wisconsin-Madison e principal autor do estudo.

A pesquisa de Lark contrasta com a pesquisa conduzida pelo USDA que descobriu que os biocombustíveis são uma opção sustentável. Em 2019, informou que a intensidade de carbono do etanol era 39% menor que a da gasolina, citando o sequestro de carbono ligado ao plantio de novas terras agrícolas.

Os EUA lideram o mundo na produção de biocombustíveis, produzindo quase metade na demanda global na última década. Isso porque, desde 2005, o Renewable Fuel Standard exige que as refinarias de petróleo dos EUA usem 15 bilhões de galões de etanol de milho para os mais de 120 bilhões de galões de gás consumidos nos EUA todos os anos. A maior parte da gasolina nos EUA contém cerca de 10% de etanol.

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Uso da terra

As descobertas do novo estudo mostram que a expansão da produção de milho para atender às necessidades de produção de etanol faz uma pressão excessiva sobre o meio ambiente. Com a produção de milho expandindo quase 9% entre 2008 e 2016, o uso de fertilizantes aumentou em até 8% e os poluentes da água aumentaram em até 5%.

Mas o maior impacto veio do uso da terra, gerando tantas emissões de gases de efeito estufa quanto a gasolina. O estudo diz ainda que o número pode ser pior e seguir aumentando até 24%.

 

“Se você aumentar a demanda, terá mudança no uso da terra”, diz Lark. “Em geral, quando você converte algo como uma pastagem perene em uma área cultivada anualmente, há emissões significativas de carbono associadas a essa mudança no uso da terra”.

“As alegações neste relatório simplesmente não se alinham com a realidade e os fatos reais. Ao reunir uma série de suposições de pior caso, dados escolhidos a dedo e resultados díspares de estudos anteriormente desmascarados, os autores criaram um relato completamente fictício e errôneo dos impactos ambientais do Renewable Fuel Standard”, refutou Geoff Cooper, presidente e CEO da empresa, em comunicado.

Mas, de acordo com os pesquisadores, a principal conclusão é exatamente o oposto: “a política de combustível renovável dos EUA, que é o maior programa de biocombustíveis do mundo, provavelmente aumentou, em vez de diminuir, as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes ambientais”, diz o relatório.

As descobertas acontecem no momento em que o IPCC divulgou seu último e mais forte alerta sobre as mudanças climáticas. Em particular, o relatório constatou que atualmente não está sendo feito o suficiente para proteger a terra. “Manter a resiliência da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos em escala global depende da conservação efetiva e equitativa de aproximadamente 30% a 50% das áreas terrestres, de água doce e oceânicas da Terra”, afirma o relatório.

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Fotos: Getty Images


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